Vaivém – Exportações brasileiras de alimentos recuam 8% neste ano

Novos estresses políticos podem gerar pressões ainda maiores sobre as exportações

O agronegócio brasileiro não poderá ser submetido a mais nenhum estresse político neste ano, tanto nacional como internacional. Caso contrário, a situação do setor, que não é boa, ficará ainda pior.

Os números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) de agosto indicam que as exportações no setor de alimentos já estão com queda de 8% neste ano, em relação a igual período de 2018.

O valor das exportações brasileiras de alimentos recuaram para US$ 50,9 bilhões até agosto. As quedas atingiram também os setores de celulose e de madeira.

A queda no setor, por ora, se deve a uma situação externa desfavorável para alguns dos principais produtos brasileiros. Frases soltas e comportamentos inoportunos de governantes podem complicar ainda mais a vida dos produtores.

Olho no campo
  1. Visitante da Agrishow 2018, realizada em Ribeirão Preto, a 313 km de São Paulo

Tratores na última edição da feira

Tratores na última edição da feira Divulgação/

Um dos exemplos do cenário externo desfavorável é a soja, carro-chefe do setor agrícola brasileiro. As exportações nacionais recuaram para 56,8 milhões de toneladas até agosto deste ano, 12% abaixo das de igual período de 2018.

No caso das receitas, a queda foi maior ainda, somando 23%. Em 2019, o Brasil arrecadou apenas US$ 19,9 bilhões no mercado externo com a oleaginosa, bem abaixo dos US$ 26 bilhões de 2018.

Não foram apenas os preços que caíram. O apetite da China, principal importador de soja, também diminui. Neste ano, mesmo com pesadas imposições à soja dos Estados Unidos, a China veio buscar apenas 43 milhões de toneladas do produto no Brasil, 16% menos do que no ano passado.

O desastre da balança comercial brasileira poderia ser maior ainda, não fosse o câmbio. A alta da moeda americana em momentos de incertezas econômicas e de crises internas favorece o agronegócio, tornando os produtos brasileiros mais competitivos.

O milho foi um dos favorecidos. O Brasil nunca exportou tanto desse cereal como neste ano. Foram 23 milhões de toneladas até agora, um volume 147% superior ao de janeiro a agosto do ano passado e acima das exportações de todo o ano de 2018. Café

O café Ambongo, de Madagascar (grãos maiores) é uma das variedades em risco

O café Ambongo, de Madagascar (grãos maiores) é uma das variedades em risco RBG Kew

O café também está ajudando a balança. Os números da Secex indicam uma alta de 47% na quantidade exportada, mas de apenas 19% no volume financeiro. Essa diferença mostra o quanto os preços externos estão desfavoráveis para os produtores brasileiros.


Café  Relatório da OIC (Organização Internacional do Café) desta terça-feira (3) indica que o Brasil foi responsável por 32% das exportações mundiais de café nesta safra.

Café 2  De outubro de 2018 a julho de 2019 (os dez primeiros meses da safra), as exportações brasileiras somaram 32 milhões de sacas de caféverde, 38% mais do que em igual período do ano passado.

Solúvel  O Brasil também é líder nas vendas externas de café solúvel. Nos números da OIC, o país colocou o correspondente a 3,9 milhões de sacas de café desse produto no mercado externo de outubro do ano passado a julho deste ano. A evolução foi de 11% em relação a igual período anterior.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha