Vaivém: EUA não devem atingir área esperada de soja no plantio desta safra

As condições das lavouras de soja dos Estados Unidos se estabilizaram, após um período de incertezas nas últimas semanas.

Dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desta segunda-feira (13) indicaram que 62% das lavouras encontram-se em condições consideradas boa e excelente.

Na semana passada, o percentual era de 63%. Essa estabilidade em 62% indica, no entanto, uma distância bem grande dos 72% de 2014.

Os dados de ontem, associados aos de sexta-feira (10), quando o Usda reduziu os estoques finais da safra 2014/15, podem dar um cenário novo aos preços da oleaginosa.

Estoques menores no final desta safra indicam que a oferta vai depender ainda mais da safra 2015/16. Daniele Siqueira, da AgRural, pondera três elementos nesse quebra-cabeça.

Uma coisa já é certa, afirma ela: a queda dos estoques iniciais da safra 2015/16, como informou o relatório do Usda da semana passada.

Os estoques finais, previstos no início de junho em 9 milhões de toneladas para o final de agosto, devem ficar em apenas 6,9 milhões, segundo novos números do órgão. Se confirmado, esse volume representa apenas 6,6% do consumo.

Qualquer número abaixo de 10% é temerário, segundo Siqueira. Ela destaca também que, na semana passada, os norte-americanos ainda não haviam semeado 1,4 milhão de hectares de soja.

As chuvas continuaram neste início de semana em algumas regiões e, com certeza, parte dessa área ficará sem ser semeada.

Portanto, estoques iniciais e área menores tornam a safra 2015/16 menos folgada em termos de oferta.

Como terceiro elemento dessa equação, ela cita a produtividade. Ainda é difícil qualquer avaliação de qual será a produção de soja por hectare, mas ela vai determinar o volume final.

Os novos números de produção do governo dos Estados Unidos são de 105,7 milhões de toneladas na safra 2015/16, conforme os dados da semana passada.

Esse número não considera, no entanto, as áreas alagadas, o que deverá ser mostrado apenas nas próximas estimativas, afirma Siqueira.

Ela faz algumas simulações. Se a área deixada de ser plantada atingir 1 milhão de hectares e a produtividade ficar nas 51,6 sacas previstas pelo Usda, a safra cairia para 102,8 milhões de toneladas.

Nessas mesmas condições de área, mas com queda da produtividade para 50,6 sacas, a produção vem para 100,8 milhões de toneladas.

Já com uma produtividade de 50 sacas por hectare, a safra dos norte-americanos cairia para um patamar inferior a 100 milhões de toneladas.

Quanto menor a safra nos EUA, menor deverá ser a queda dos preços da soja em Chicago, onde a oleaginosa fechou a US$ 10,5 por bushel (27,2 quilos) nesta segunda-feira, com alta de 0,2%.

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Peso político Os produtores da União Europeia começam a sentir mais os efeitos do conflito político entre União Europeia e Rússia.

Exportações As vendas europeias agrícolas para a Rússia, que somavam US$ 17 bilhões por ano, caíram pela metade, segundo números apresentados em encontro de produtores na Finlândia.

Crédito As novas aplicações em CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) atingiram R$ 2 bilhões no 1º semestre, aponta a Cetip.

Salto Esse volume financeiro supera em 377% os R$ 419 milhões de igual período do ano passado. Apenas em junho, foram realizadas duas captações de R$ 675 milhões cada, por Raízen e Suzano.

Estoques O volume total que está na carteira de investidores atinge R$ 3,7 bilhões.

Fonte: Folha

Vaivém das Commodities

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

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