Vaivém – Estável até agora, PIB agropecuário não cresce no segundo semestre

A pecuária se mantém favorável, mas safras de trigo e de cana não evoluem bem

O PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário praticamente não evoluiu neste ano. De janeiro a junho, em relação a igual período de 2018, teve crescimento de apenas 0,1%.
Ao contrário dos bons anos anteriores, quando a agropecuária dava sustentação ao PIB geral do país, 2019 deverá ser um período de pouca cooperação do setor com a economia.
Após uma queda no primeiro trimestre, a taxa do PIB da agropecuária subiu no segundo: mais 1%, segundo dados desta quinta-feira (29) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O algodão, que teve aumento de área de 37% nesta safra, e atingirá uma produção recorde, foi um dos responsáveis por essa alta.

Olho no campo

Visitante da Agrishow 2018, realizada em Ribeirão Preto, a 313 km de São Paulo

Visitante da Agrishow 2018, realizada em Ribeirão Preto, a 313 km de São Paulo Joel Silva/Folhapress/

Outro destaque é o milho, cuja safra total do ano deverá ficar próxima de 100 milhões de toneladas. Ao contrário do algodão, o cereal obteve aumento de 26% na produtividade na chamada safrinha.
Soja, café e arroz vão na contramão e registram quedas na produção. As estimativas iniciais para a soja, contudo, eram mais pessimistas do que se verificou após a colheita.
O cenário que vem pela frente para o agronegócio não é promissor.
O clima desfavorável deverá provocar uma queda de 7% na produtividade do trigo, importante cultura do segundo semestre, derrubando a produção do país em 5%.
Cana-de-açúcar e florestas plantadas, outros dois setores de peso na economia agrícola, não mostram bons sinais.
A moagem de cana acumulada nesta safra até a segunda quinzena deste mês, em São Paulo, é 2,5% menor do que a de igual período anterior. O estado é o principal produtor nacional neste setor.
No setor florestal, a produção de celulose recuou 3,7% no período de janeiro a junho de 2019, em comparação aos mesmos meses de 2018. Há uma queda nas importações feitas por alguns dos principias mercados do Brasil.
Já a citricultura tem uma safra maior neste ano, mas com preços e renda menores para o setor.
Um dos destaques positivos é a pecuária, principalmente a bovina. O mercado externo é favorável às carnes, incentivando a produção no setor.

Entenda o desempenho do PIB no 2º trimestre

O setor de serviços avançou 0,3% no 2º trimestre, de acordo com o IBGE

O setor de serviços avançou 0,3% no 2º trimestre, de acordo com o IBGE Keiny Andrade/Folhapress

A deficiência de proteínas na China, devido aos efeitos da peste suína sobre o rebanho daquele país, abre as portas para as carnes suína, bovina e de frango do Brasil.
Os chineses devem comprar mais carne, mas terão um apetite menor pela soja brasileira. Esse produto tem o maior VBP (Valor Bruto de Produção) interno e é o de maior receita nas exportações brasileiras.
Segundo o IBGE, as atividades da agropecuária adicionaram R$ 87 bilhões no PIB no segundo trimestre, abaixo dos R$ 90 bilhões do trimestre imediatamente anterior. 
O valor adicionado é o que a atividade agrega aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo.


Atacado  Os produtos agropecuários tiveram um deflação de 0,6% neste mês, repetindo a taxa de julho, segundo dados do IGP-M da FGV, divulgados nesta quinta-feira (29).

O que pesa  Entre as pressões, estiveram soja, aves, óleo de soja e bovinos. Parte da alta desses produtos se deve à boa aceitação deles no mercado externo e à pressão do dólar.

O que reduz  O milho, devido à queda de preço no mercado internacional e à boa safra brasileira foi um dos produtos que puxaram a inflação para baixo, com queda de 3% no mês. Tomate e batata também estiveram na lista das desacelerações.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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