Vaivém – Estoques de soja caem ainda mais nos Estados Unidos

Volume em final de safra será suficiente para apenas 14 dias de consumo; safras brasileira e argentina ganham importância

    Os Estados Unidos reduziram ainda mais os estoques finais de soja do país. Após vendas aceleradas para a China, a exemplo do que ocorreu com o Brasil, os americanos vão terminar a safra 2020/21 com apenas 4,8 milhões de toneladas de soja nos armazéns.
    É um dos menores estoques da história e o suficiente para apenas 14 dias de consumo, segundo cálculos da AgRural. Conforme dados divulgados na tarde desta quinta-feira (11), o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê um consumo total de 123,4 milhões de toneladas no país. A produção foi de 113,5 milhões.

    No porto de Santos (SP), funcionário do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita) descarrega milho que será enviado de navio à China, país que ajudou o agro brasileiro a obter recordes de venda mesmo em ano de crise

      Operador do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita), em Santos, abre compartimento de trem com soja, para descarregar a carga e enviá-la para exportação

        No porto de Santos (SP), funcionário do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita) descarrega milho que será enviado de navio à China, país que ajudou o agro brasileiro a obter recordes de venda mesmo em ano de crise Eduardo Knapp/Folhapress

        O órgão americano estima esmagamento interno de 59,7 milhões de toneladas e exportações de 59,9 milhões. Essa nova estimativa de queda nos estoques de soja dos Estados Unidos, segundo maior produtor mundial, faz o mercado internacional ficar ainda mais de olho no Brasil e na Argentina, primeiro e terceiro maiores produtores.
        A América do Sul, contudo, não está isenta de eventuais problemas climáticos, principalmente devido aos efeitos da La Niña. No Brasil, já houve atraso no plantio de soja e replantio em algumas áreas.
        A produção mundial nesta safra 2020/21 será de 362 milhões de toneladas, e o consumo mundial sobe para 370 milhões. A demanda chinesa continua aquecida, e o país importará 100 milhões de toneladas.
        Os estoques mundiais, que eram suficientes para 98 dias de consumo no período 19/20, terminam a safra atual o bastante para apenas 85 dias. Qualquer redução de safra na América do Sul, os preços esquentam.

        PIB do agro
        O Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro cresceu 8,48% de janeiro a agosto, segundo cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizados em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
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        Os destaques no período são os segmentos primário e de agrosserviços, segundo os pesquisadores do Cepea. A alta desse itens acumulam 23% e 7,3%, respectivamente, neste ano.
        Cestas básicas
        A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) está comprando alimentos para a composição de 1,7 milhão de cestas de 22 quilos cada.
        Cestas básicas 2
        Esse alimento tem como destino 424,2 mil famílias de indígenas, quilombolas, extrativistas e pescadores. A distribuição será a partir de 11 de janeiro do próximo ano nas unidades estaduais de armazenamento da entidade.
        Algodão
        O impacto da Covid-19 foi forte neste ano, mas será menor do que se previa em 2021. Segundo o Usda, o consumo deste ano ficará 14% abaixo do que se estimava em fevereiro. Na China, a queda é de 12%, abaixo da média mundial, mas na Índia atinge 18%.
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        Para a safra 2020/21, a previsão era de um consumo mundial de 27 milhões de toneladas, segundo o Usda. Com a melhora na atividade industrial em vários países nos últimos meses, o órgão espera um recuo de apenas 3% em 2021, em relação ao que se previa em fevereiro último.
        Milho
        ?Esperava-se uma forte queda na produção chinesa, devido ao clima desfavorável. Os dados divulgados pelo governo, no entanto, apontam para 261 milhões de toneladas, o mesmo volume da safra anterior, segundo a Reuters.

        Vaivém das Commodities

        Vaivém das Commodities

        A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

        Fonte : Folha

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