Vaivém – Estoque de grãos dos EUA diminui, e preços se mantêm elevados

Americanos consomem sua produção, e América do Sul ganha importância no abastecimento mundial

Os Estados Unidos de 2021 poderão ser o Brasil de 2020. As exportações americanas de soja estão tão aceleradas que o país, se seguir no ritmo atual, terá de elevar as importações da oleaginosa, apesar de ser o segundo maior produtor e exportador mundiais.

Os dados desta terça-feira (9) do relatório de oferta e de demanda, divulgado pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), apontam que o país vai chegar ao final desta safra, em 31 de agosto, com apenas 3,3 milhões de toneladas de estoque.

No mesmo período, as exportações serão de 61 milhões de toneladas, 34% maiores do que as da safra anterior.

Plantação de soja em Belterra, no Pará

Plantação de soja em Belterra, no Pará

Plantação de soja em Belterra, no Pará Marcos Colón/Divulgação

Se confirmado esse estoque, os Estados Unidos terminariam a safra com um volume suficiente para apenas 10 dias de consumo, um dos piores da história, segundo Daniele Siqueira, da AgRural.

O ritmo forte das exportações e as indicações de estoques baixos estão dando suporte aos preços internacionais do produto, afirma a analista. Nesta terça-feira, o contrato de março da soja subiu para U$ 14 por bushel (27,2 quilos), com evolução de 1%.

Para Guilherme Bellotti, do Itaú BBA, o estoque reduzido é a consolidação de um balanço apertado. Se as exportações continuarem tão fortes como estão, a demanda será contida via preço. Os Estados Unidos deverão exportar 61 milhões de toneladas nesta safra, 34% mais do que na anterior.

A responsabilidade de abastecimento agora recai sobre a América do Sul, segundo o gerente de agronegócio do BBA. O Usda mantém a estimativa da produção brasileira em 133 milhões de toneladas, confirmando a liderança mundial do país, e a da Argentina em 48 milhões. Os argentinos são o terceiro maior produtor mundial.

O resultado de tudo isso é o de um cenário de preços bons, afirma ele.

O Usda apontou também uma queda nos estoques de milho no relatório desta terça. Os Estados Unidos terão 38,2 milhões de toneladas no final desta safra, um volume 22% inferior ao do ano anterior.
O milho está com a menor relação estoque-uso desde a safra 2013/14. Apesar desta redução, o cereal recuou 1,3% nos preços na Bolsa de Chicago. O mercado esperava uma queda ainda maior no estoque.

Se o aperto na demanda de soja está basicamente definido, com a importação de 100 milhões de toneladas pela China nesta safra, o mesmo não ocorre com o milho. O país asiático chegou ao mercado deste cereal, mas ainda é incerta a participação que terá.

A modernização da produção de suínos exige um volume maior do cereal na alimentação dos animais, mas os estoques chineses ainda são elevados.

A importação, que somou 7,6 milhões de toneladas na safra passada, poderá ficar próxima de 30 milhões neste ano. No relatório desta terça, o Usda já elevou a necessidade de compra chinesa de 17,5 milhões de toneladas para 24 milhões.

Quando a China entra em um dos mercados de commodities, a movimentação no setor é grande. No caso do milho, a presença chinesa será boa para o produtor nacional, mas preocupante para o do setor de criação de animais.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *