Vaivém – Em 2020, suinocultura repetirá bom o desempenho em 2019

Dados do Valor Bruto de Produção do Ministério da Agricultura indicam evolução de 11% neste ano e de 10% no próximo para o setor

A suinocultura, setor que se destacou neste ano, voltará a ter um dos melhores desempenhos entre os diversos segmentos da agropecuária no ano que vem.

José Garcia Gasques, coordenador-geral de avaliação de políticas de informação do Ministério da Agricultura, prevê que o VBP (Valor Bruto de Produção) do setor de suínos deverá atingir R$ 18 bilhões neste ano, com evolução de 11% em relação ao anterior.

Embalada pela demanda externa, a suinocultura voltará a crescer mais 10% em 2020, segundo Gasques. O VBP considera o faturamento dentro da porteira, levando em consideração volume produzido e os preços obtidos pelos agricultores.

Porcos na granja Suinos, da fazenda Crambei, em Carambei (PA) – Mauro Zafalon – 8.jul.15/Folhapress

A bovinocultura, também favorecida pela procura de carnes no mercado externo, voltou a ter bom  desempenho neste ano, somando R$ 86 bilhões no valor da produção. O crescimento em relação a 2018 será de 3%, taxa que se repetirá em 2020.

Já o setor de lavouras perdeu valor em 2019 e voltará a perder em 2020. Dados do Ministério da Agricultura indicam ganhos de R$ 400 bilhões neste ano, 1% menos do que em 2018. Em 2020, o valor recuará para R$ 393 bilhões, 2% menos.

Apesar de produção recorde e do destaque de alguns produtos, como o milho, os preços internacionais deste ano recuaram, reduzindo o valor da produção no campo.

Soja e milho, dois dos destaques desse setor, têm comportamento diverso. Enquanto a oleaginosa perdeu faturamento neste ano, recuando 11%, cresce 12% no próximo ano. O milho, que teve o expressivo crescimento de 24% em 2019, recua 7% em 2020.

O valor total de produção, incluindo pecuária e lavouras, após atingir R$ 610 bilhões neste ano, recuará para R$ 605 bilhões no próximo, segundo estimativas de Gasques.

Frango As exportações brasileiras para a União Europeia atingiram 239 mil toneladas de janeiro a setembro, segundo estatísticas divulgadas pelo bloco europeu. Com esse volume, houve crescimento de 9% em relação a janeiro setembro de 2018.

Ainda segundo Mesmo com essa evolução, o Brasil não recuperou a tradicional posição de líder nas exportações para a União Europeia. O primeiro lugar fica com a Tailândia.

Bom momento A boa demanda externa por carne de frango fez com que o bloco de 28 países da União Europeia exportasse 1,42 milhão de toneladas dessa proteína de janeiro a setembro deste ano, 8% mais do que no anterior.

Estragos da guerra As importações de alimentos dos chineses, feitas nos Estados Unidos, somaram US$ 26 bilhões de 2018. Com o acirramento da guerra comercial entre os dois países, esse valor recuou para US$ 9,2 bilhões em 2018.

Perdas As estimativas são de que a renda dos produtores norte-americanos já recuou 20% devido a esses atritos. São compensados, no entanto, com programas de subsídios do governo, que colocou à disposição dos produtores US$ 12 bilhões em 2018 e US$ 16 bilhões em 2019.

Apoio Com tanto dinheiro à disposição, produtores afirmam que continuam apoiando o governo de Donald Trump. Segundo eles, os benefícios dessa guerra comercial virão no médio e longo prazos.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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