Vaivém – De alface a soja, China diversifica compras no Brasil

Soja, carnes, celulose e algodão são destaques, mas importações avançam em outros setores

    Alface, chicória, tomate, uva, melancia, melão. Todos frescos. Eles fazem parte de uma lista crescente de produtos brasileiros que, cada vez mais, ganham o mercado chinês.

    Foi-se o tempo em que apenas soja interessava à China. Nessa lista podem ser incluídos, ainda, mandioca, azeite de oliva, água mineral, cerveja de malte e mel. Este último, aliás, com bom avanço.

    Não são valores expressivos, e poucos atingem um patamar superior a US$ 500 mil por ano, mas estão aprendendo o caminho.

    É a China ampliando e diversificando as compras no Brasil. Por mais que isso seja embaraçoso para alguns membros passageiros do governo, o agronegócio vai se posicionado bem em um dos principias mercados do mundo.

    Apresentação durante evento de celebração do centenário, no Estádio Nacional de Pequim

    Apresentação durante evento de celebração do centenário, no Estádio Nacional de Pequim Noel Celis – 28.jun.21/AFP

    A liderança da soja continua sendo incontestável. No primeiro semestre deste ano, os chineses levaram 40 milhões de toneladas da oleaginosa do Brasil, deixando por aqui US$ 17 bilhões. No ano de 2000, as importações eram de apenas US$ 142 milhões no primeiro semestre.

    Mais recentemente, os chineses acrescentaram as carnes brasileiras ao seu cardápio. Neste ano, as compras de proteínas feitas pela China no Brasil já somam US$ 3,33 bilhões. Até 2015, as importações chinesas representavam apenas 10% desse valor.

    A aceleração das compras da China veio por causa das carnes bovinas, que já somam US$ 2 bilhões neste ano. Há dois anos eram inferiores a US$ 700 milhões no primeiro semestre.

    A peste suína africana fez o país asiático elevar também as compras de carne suína, que somam US$ 756 milhões no ano. Há dois anos eram apenas US$ 200 milhões.

    As compras de carne de frango têm patamar mais estável, e vêm atingindo US$ 590 milhões por semestre. Colheita de milho na zona rural de Planaltina, região administrativa do DF

    Colheita de milho na zona rural de Planaltina, região administrativa do DF Pedro Ladeira/Folhapress

    Os chineses entraram firmes também na compra de produtos florestais. As importações de celulose no Brasil atingiram US$ 1,21 bilhão no primeiro semestre, enquanto as de madeira em bruto somaram 980 mil toneladas, 78% do que o Brasil exportou no período.

    Açúcar, algodão e óleo de soja também subiram de patamar na lista das compras chinesas, todos com valores próximos a US$ 500 milhões no primeiro semestre.

    Os chineses mudaram até a estratégia nas compras dos derivados de soja. Tradicionalmente compravam pouco óleo e farelo de soja do Brasil.

    Os volumes de farelo adquiridos em 2020 e em 2021, no entanto, superaram 20 milhões de toneladas no primeiro semestre. Em igual período de 2019, haviam sido apenas 2,7 milhões.

    As compras de óleo de soja subiram para 385 mil toneladas neste ano, 185% a mais do que em igual período de 2020.

    O avanço do Brasil na produção de algodão nos últimos anos colocou o país como um dos favoritos dos chineses. No primeiro semestre deste ano, os brasileiros venderam 281 mil toneladas do produto para os chineses. Até 2018, o volume nunca havia chegado a 40 mil toneladas no período.

    Apesar de ter grandes produtores de açúcar na região, a China fez compras recordes no Brasil neste ano. Foi 1,5 milhão de toneladas, 122% a mais do que nos dois anos imediatamente anteriores.

    A investida chinesa só não foi maior no mercado brasileiro porque ela teve de cumprir parte do acordo chamado “fase 1”, que assinou com os americanos.

    A China vai ficar cada vez mais dependente de milho e de sorgo nos próximos anos, e o Brasil tem potencial para crescer na produção desses cereais.

    Os brasileiros têm capacidade de avançar também no comércio de hortifrútis e de leite no mercado chinês, embora o caminho ainda seja longo.

    Vendas melhores O setor de máquinas agrícolas deverá aumentar as vendas em 15% neste ano, afirmou Rodrigo Junqueira, da Agco, em um evento da Anfavea, realizado online nesta quinta-feira (8).

    Tecnologia Na avaliação de Junqueira, as máquinas são um elo importante no aumento de produtividade no campo, principalmente devido às tecnologias que estão sendo incorporadas aos equipamentos.

    Conectividade Um dos desafios, porém, é a difícil conectividade, um ponto que, mesmo sendo concorrentes, várias empresas do setor se unem para resolver, afirma o executivo.

    Rodoviárias Odair Renosto, da Caterpillar, afirma que as máquinas de construção se tornaram importantes para a atividade agropecuária. Por isso, as vendas crescem. Elas são utilizadas tanto no arranjo das estradas como na feitura das curvas de nível e dentro dos silos. A agricultura já não vive sem elas, diz o executivo.

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.


    Vaivém das Commodities

    Fonte : Folha

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *