Vaivém – Dados apontam para supersafra de grãos nos Estados Unidos

 

Máquina agrícola faz pulveriazação de soja, em Granger (EUA). *** FILE - This July 11, 2013, file photo shows Blake Beckett of West Central Cooperative as he sprays a soybean field, in Granger, Iowa. Faced with tougher and more resistant weeds, corn and soybean farmers are anxiously awaiting government decisions on a new version of a popular herbicide _ and on genetically modified seeds to grow crops designed to resist it. The Environmental Protection Agency is expected to rule in the fall of 2014 on Dow AgroSciences’ application to market Enlist, a new version of the 2,4-D herbicide that’s been around since the 1940s.(AP Photo/Charlie Neibergall, File)

Máquina agrícola faz pulverização de soja em Granger, Iowa, nos Estados Unidos

Os produtores brasileiros têm mesmo de se preparar para a supersafra de grãos nos Estados Unidos, e as consequências que ela vai trazer, principalmente sobre os preços.

Os dados de acompanhamento de safra do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam que pelo menos 72% das lavouras de soja estão em condições boas e excelentes.

Esse percentual é o maior em 24 anos para esse período do ano. A média dos últimos cinco anos é de 56%.

As esperanças de eventuais quebras de safra estão ficando cada vez mais difíceis, segundo Daniele Siqueira, analista da AgRural.

O mesmo vale para o milho, cujas lavouras estão com 75% em condições boas e excelentes. A média dos últimos cinco anos é de 55%.

O Usda ainda poderá fazer ajustes em alguns Estados norte-americanos, reduzindo a produtividade, que está um pouco superavaliada.

Mas deverá também corrigir os dados em outros, elevando a produtividade. Ou seja, tudo aponta para a supersafra, diz Siqueira.

A estimativa mais recente para a soja indica produção de 110 milhões de toneladas, segundo o Usda. Já a safra de milho deverá atingir 385 milhões de toneladas. Ambas são recordes.

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Apesar da queda de preços, agronegócio exporta 25% mais

O setor do agronegócio, apesar das dificuldades econômicas vividas pelo país, continua bem. Mesmo com a queda dos preços internacionais das commodities e de uma leve recuperação do real, as exportações deverão atingir novo recorde neste ano.

Levantamento do Cepea (Cento de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indica que o volume exportado pelo país cresceu 25% nos primeiros seis meses do ano em relação a igual período anterior.

Alguns produtos, como milho e etanol, dobraram o volume de exportações no período. A soja, carro-chefe da balança comercial, teve aumento de 20% no volume, enquanto as carnes tiveram expansão de 14% (as de frango) a 56% (as suínas). A bovina teve aumento de 17%.

Café e frutas foram os únicos produtos que não tiveram evolução no volume exportado no primeiro semestre, segundo o Cepea.

Já as receitas do setor, devido à redução de preços de vários produtos, aumentaram apenas 4% no período, atingindo US$ 45 bilhões. A evolução das receitas em reais, no entanto, foi de 8%.

O câmbio real do agronegócio teve alta de 0,42% nos seis primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2015. Já os preços médios das commodities caíram 12% em dólares.

Se considerados os últimos 12 meses encerrados em junho, ante igual período anterior, o Cepea aponta alta de 26% no volume exportado e queda de 16% nos preços médios em dólar.

A competitividade dos produtos brasileiros caiu no primeiro semestre, devido à redução dos preços internacionais e à valorização do real.

No segundo semestre, essa atratividade poderá ser ainda menor devido à manutenção do real valorizado, em vista de expectativas melhores para a economia, avalia o Cepea.

Charlie Neibergall

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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