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Vaivém: Crédito para o setor agropecuário aumenta, mas com juros maiores

Em um período de crise e de ajustes econômicos, até que a agropecuária conseguiu um bom volume de recursos para a safra 2015/16.

Serão R$ 187,7 bilhões para operações de custeio, investimentos e comercialização, 20% mais do que no período anterior. Os valores foram anunciados, nesta terça (2), pela presidente Dilma Rousseff e pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e constam no Plano Agrícola e Pecuário da safra 2015/16.

No ano passado, um período sem uma crise tão anunciada como a atual e às vésperas da eleição presidencial, o aumento do crédito foi de 15% em relação a 2013/14.

Com a inflação ascendente, no entanto, a variação dos recursos da safra 2015/16 vai ser de 11% em relação à anterior, descontado o IPCA. Os recursos da agricultura familiar serão anunciados depois.

Em um momento em que se fala de uma Selic de 14%, as taxas de juros do setor agrícola também tiveram crescimento moderado.

As de custeio e de comercialização para os produtores médios serão de 7,75%, enquanto as de investimentos foram fixadas em 7,5%. Na safra anterior, eram de 5,5%.

O crédito ao produtor médio sobe para R$ 18,9 bilhões -alta de 17%.

Já o grande produtor terá taxa de juros de 8,75%, enquanto investimento terá taxa de 7% a 9,5% ao ano.

O aumento dos recursos destinados à agropecuária não significa, no entanto, muito alívio ao produtor.

O volume para custeio, com juros controlados e participação do Tesouro, vai evoluir só 7,5% na safra 2015/16, para R$ 94,5 bilhões, ante R$ 87,9 bilhões na safra que se encerra.

Já a oferta de recursos com taxas de mercado sobe 130%, para R$ 53 bilhões. Esses recursos vêm de títulos privados e de operações casadas de bancos que atuam no sistema -parte dos juros é subsidiada, e parte, com taxas livres.

Na safra 2015/16, a taxa com juros subsidiados representará 64% do volume de crédito destinado ao custeio. Na anterior, foi de 80%.

Ou seja, num período de inflação elevada e aumento de custos dos insumos, principalmente devido à alta do dólar, o mix de juros -taxa média entre subsidiada e de mercado- pagos pelos produtores deve ser de 14% a 16%. Em 2014, ficou próximo de 10%.

Na avaliação de quem já esteve no governo, como Seneri Paludo, ex-secretário de política agrícola de Dilma, o plano tem o mérito de manter uma evolução dos recursos disponíveis aos produtores e sem sobressalto dos juros.

Paludo destaca, ainda, as medidas de apoio à agropecuária, que vão dos incentivos ao confinamento à política de retenção de fêmeas.

O volume de seguro agrícola não teve grandes alterações no plano. Mas o problema desse seguro não é de volume, mas tempo. “Tem de chegar na hora certa”, diz ele.

No ano passado, esse dinheiro foi repassado com atraso para as seguradoras.

Editoria de Arte/Folhapress

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Custeio O crédito ao médio produtor será de R$ 13,6 bilhões para custeio e R$ 5,3 bilhões para investimento. Os demais terão R$ 80,9 bilhões para custeio.

Álcool Os recursos programados para a estocagem de etanol são de R$ 2 bilhões, com prazo máximo de dois anos. A taxa anual é TJLP mais 2,7%.

Investimentos Os recursos programados são de R$ 38,2 bilhões. Moderfrota e PSI rural têm R$ 10 bilhões. As taxas de juros vão de 7% a 9,5%, dependendo do tamanho da propriedade do produtor.

Armazéns Entre outros, os governo mantém programas de incentivos de investimento em armazéns (R$ 2 bilhões), cooperativas (R$ 1,6 bilhão) e cerealistas (R$ 400 milhões). Neste último caso, a taxa de juro chega a até 10% ao ano.

Fonte: Faolha

Vaivém das Commodities [1]

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

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