Vaivém – Conab mostra por que o feijão subiu tanto de preço

Primeira safra, a mais importante, teve queda de 25% neste ano

Os dados da safra 2018/19 de grãos, divulgados nesta quinta-feira (11) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), mostraram por que o feijão pesou tanto na inflação nos primeiros meses do ano. A primeira safra, a principal do país, teve quebra de 25%. São três no ano.

O volume colocado nos armazéns pelos produtores recuou para apenas 972 mil toneladas, abaixo do 1,3 milhão do período anterior.

Pequenos agricultores usam fogo para ajudar a limpar o terreno do novo plantio de feijão na BahiaPequenos agricultores usam fogo para ajudar a limpar o terreno do novo plantio de feijão na Bahia – Avener Prado – 4.mai.18/Folhapress

A partir de agora, conforme estimativas da Conab, a segunda e a terceira safras vão render mais do que no ano passado. Mesmo assim, no saldo final, há um aperto na oferta do produto.

Outro parceiro importante do feijão na mesa do consumidor, o arroz, também não tem números favoráveis neste ano. A safra vai cair 12%, em relação à anterior.

Por ora, os preços do cereal estão fracos, devido às vendas que os produtores são obrigados a fazer para cobrir os custos durante a colheita.

Nos próximos meses, porém, o volume colocado no mercado será menor e vai refletir nos preços pagos pelos consumidores.

Os dados totais de produção de grãos divulgados pela Conab nesta quinta-feira apontam uma elevação em relação aos de março. O órgão governamental prevê uma colheita de 235 milhões de toneladas, 8 milhões a mais do que na safra anterior.

Esse volume poderá ser maior ainda, quando, e se, a Conab ajustar os seus números de soja e de milho com os das consultorias do setor.

A Conab ainda espera 113,8 milhões de toneladas de soja. As estimativas mais baixas do mercado, como a da AgRural, já preveem produção próxima de 115 milhões de toneladas. Outras, como a Agroconsult, refizeram os cálculos e apostam em 119 milhões.

O mesmo ocorre com o milho. A estimativa da Conab é de uma safra de 94 milhões de toneladas (68 milhões na safrinha), mas consultorias e o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já elevaram os números para 97 milhões.

O destaque principal nos números é o algodão, que terá uma produção 32% maior do que a do ano passado: 2,65 milhões de toneladas de pluma.

Soja argentina As colheitadeiras já percorreram 17% da área destinada à oleaginosa. O resultado da colheita até agora fez as Bolsas de commodities do país vizinho revisarem seus números para cima.
55 milhões A Bolsa de Cereais de Buenos Aires elevou a estimativa de safra para 55 milhões de toneladas, o mesmo volume do Usda. Já a Bolsa de Rosário acredita em até 56 milhões de toneladas.
Menos suco... Os embarques brasileiros totais de suco de laranja concentrado, congelado, equivalentes a 66º brix (FCOJ) somaram 741 mil toneladas nesta safra 2018/19, iniciada em julho do ano passado. O volume registra recuo de 13% em relação a igual período anterior.
…e menos receitas Os dados são da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos). A associação informou, ainda, queda de 12% nas receitas, que recuaram para US$ 1,3 bilhão no período.
Caminho oposto Já os embarques de suco não concentrado crescem. De julho do ano passado a março último, as exportações aumentaram 6%, para 217 mil toneladas. “O NFC (o não concentrado) caiu no gosto do consumidor”, diz Ibiapaba Netto, diretor-executivo da entidade.
Cana Esta safra deverá ter moagem de 570 milhões de toneladas na região centro-sul, volume próximo dos 573 milhões da anterior, segundo Julio Maria Borges, da JOB Economia e Planejamento.

Mais açúcar As usinas deverão utilizar mais cana para a produção de açúcar: de 38% a 39% da matéria-prima. No ano passado, o percentual foi de 35%.
Mais açúcar 2 A produção sobe para 28,5 milhões de toneladas, conforme estimativas de Borges. Se confirmado, esse volume superará em 2 milhões o da safra anterior.
Menos etanol Já a produção de etanol recua para 28,3 bilhões de litros, abaixo do recorde de 30,9 bilhões de litros do período anterior.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha