Vaivém – Com volume, qualidade e exportação, café tem ano para ficar na história

Devido à boa oferta e à demanda externa, Brasil conseguiu colocar volume recorde de 45,6 milhões de sacas no mercado externo

    Um ano fantástico. Assim Nicolas Rueda, presidente do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), se referiu ao ano-safra de café, que se encerrou em 30 de junho.

    Foi uma safra para não ser esquecida na história do café brasileiro. Além de quantidade, o país produziu café com qualidade e obteve bons preços, segundo o executivo.

    Os números da Conab indicam a grande oferta. Em 2020, foram produzidos 63 milhões de sacas, um volume inédito.

    Devido à boa oferta de café e à demanda externa, o Brasil conseguiu colocar um volume recorde de 45,6 milhões de sacas no mercado externo.

    Tudo ajudou o setor, inclusive o câmbio, que permitiu que as exportações rendessem R$ 31,5 bilhões neste ano-safra.

    Colheita de café em Socorro, interior de São Paulo – Eduardo Anizelli – 14.ago.2020/Folhapress

    A saca de café, que tinha um valor médio de US$ 117,6, em junho do ano passado, esteve em US$ 140,5 no mês passado, com alta de 19,5%, em dólar.

    Os números do período que se encerra mostram uma curiosidade. Além do aumento de exportações para os tradicionais importadores de café, o Brasil elevou, e em muito, as vendas externas para países produtores.

    A Colômbia, sempre com boa presença nas exportações mundiais, comprou 1,1 milhão de sacas de café verde do Brasil na safra 2020/21, um volume 156% acima do de igual período anterior.

    Entram ainda nessa lista de importadores, produtores como Vietnã, México, República Dominicana, Índia e outros.

    Foram 2,7 milhões de sacas exportadas para produtores na safra que se encerrou, 47% a mais do que na anterior.

    Os países que mais compram café no Brasil são Estados Unidos, com 8,3 milhões de sacas, e Alemanha, com 7,9 milhões, segundo o Cecafé.

    O clima favorável na safra 2020/21 permitiu que o país exportasse 7,9 milhões de sacas de produto diferenciado, um café com melhor qualidade. Foram 17,3% do total das vendas externas, com preço médio de US$ 166 por saca.

    O país terá, no entanto, vários desafios a partir de agora. Um deles é a dificuldade na logística de exportação, além de um volume de produção de apenas 49 milhões de sacas neste ano. A demanda interna e externa, no entanto, se mantém.

    Estação de monitoramento do clima em plantação de café em São João da Boa Vista (SP)

    Estação de monitoramento do clima em plantação de café em São João da Boa Vista (SP) AMANDA PEROBELLI/REUTERS

    MILHO GERA PIB DE R$ 715 BI

    De 2001 a 2020, o milho gerou um PIB de R$ 715 bilhões no campo, em termos reais, segundo estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

    O aumento de produtividade foi responsável por R$ 360 bilhões desse valor. Ou seja, um pouco acima de 50% do PIB total gerado pelo milho no período. Nas últimas duas décadas, o cereal passou a ser muito importante para o país, que desenvolveu uma indústria de proteínas forte e elevou em muito as exportações do produto.

    Esse valor obtido é resultado de uma ampliação de 43% na área e de 237% na produtividade no período de 19 anos, conforme taxa de regressão, que elimina distorções entre os anos, apurada pelo Cepea.

    Neste ano, porém, o cenário não é bom. Após prever uma safra total de até 108 milhões de toneladas, o governo já reduziu o volume para 93 milhões. Estimativas indicam números inferiores a 60 milhões para a safrinha, devido ao atraso no plantio e à seca.

    Efeito seca A colheita de cana-de-açúcar está mais acelerada na safra 2021/22 do que na anterior. O resultado, porém, não é bom. A área colhida é 2,5% maior, mas a moagem fica 8,5% abaixo da de igual período de 2020/21.

    Produtividade A safra está adiantada, mas com resultado ruim. Nesta safra, as usinas obtêm 80,9 toneladas de cana por hectare. Na anterior, foram 90,9.

    Do campo à mesa Os consumidores sentem no bolso a pressão dos preços vindos das lavouras, principalmente os do café da manhã. Em 30 dias, o açúcar subiu 8,2%, o leite, 5,2%, e o café, 3% nos supermercados de São Paulo, segundo a Fipe.

    Produção O VBP (Valor Bruto de Produção) deste ano deverá atingir R$ 1,1 trilhão, 10,5% a mais do que no ano passado, segundo o Ministério da Agricultura.

    Na Bolsa A 3tentos, do setor de agro, captou cerca de R$ 1,3 bilhão com o IPO na B3, segundo o mercado. Com a operação, o valor da empresa subiria para R$ 6 bilhões.

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.


    Vaivém das Commodities

    Fonte : Folha

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