Vaivém: Com mais renda, produtor cuida melhor da lavoura

Importações de adubo foram recordes em 2020 e atingem 34 milhões de toneladas

A capitalização do produtor agrícola faz com que ele cuide melhor da lavoura. Em 2020, as importações de adubo atingiram o recorde de 34 milhões de toneladas.

Nos últimos três anos, as compras externas deste insumo somaram uma média anual de 32 milhões de toneladas, 33% mais do que nos três imediatamente anteriores, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Nas safras de 2018/19 a 2020/21, a área média cultivada no país é de 65 milhões de hectares, apenas 8% a mais do que nas três safras imediatamente anteriores, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Já a venda de adubo dos sete primeiros meses do ano passado, em relação a igual período anterior, cresceu 16%, segundo a Anda (Associação Nacional dos Distribuidores de Adubo).

Vista aérea do Núcleo Rural Vargem Bonita, em Brasília
Vista aérea do Núcleo Rural Vargem Bonita, em Brasília Pedro Ladeira/Folhapress

Um representante do setor avalia que, em 2020, as entregas de adubos das indústrias para os produtores ficaram 15% acima do recorde de 2019. Na avaliação dele, a relação de troca, extremamente favorável ao produtor, impulsionou as vendas do insumo.

Dados do início do segundo semestre indicavam que o produtor de milho precisava de 44 sacas do cereal para a compra de uma tonelada de adubo. Em 2019, eram necessárias 57. Nessa lista de melhora na relação de troca estão soja, cana-de-açúcar, arroz e café, segundo dados da MacroSector Consultores.

O cenário deve continuar favorável para produtores e indústrias de insumos em 2021. O bom momento do campo é refletido por toda a cadeia do agronegócio.

Os preços do adubo, após queda em alguns meses do primeiro semestre do ano passado, subiram no segundo. Essa alta, no entanto, não deve afetar as vendas de fertilizantes, uma vez que a relação de troca continua favorável ao agricultor.

Emprego reage no campo, mas não volta ao pré-pandemia
Após o período mais crítico do efeito da Covid-19 sobre o agronegócio, o que ocorreu nos meses de abril a junho, o mercado de trabalho volta a ter recuperação, segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

No terceiro trimestre de 2020, a população ocupada no setor atingiu 16,9 milhões de trabalhadores, 217 mil a mais do que no trimestre imediatamente anterior.

Esses números, quando comparados com os do mesmo período de 2019, no entanto, ainda mostram um mercado de trabalho bem mais enxuto. O número de pessoas ativas é 1,39 milhão abaixo do que era registrado naquele período de 2019.

As maiores reduções de postos de trabalho ocorreram na agroindústria e no agrosserviço. Em relação à renda, os mais prejudicados foram as pessoas que trabalham por conta própria. Perderam 4,2% de seus rendimentos no terceiro trimestre de 2020, em relação a igual período de 2019.

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha

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