Vaivém – Com crise, Brasil reduz importações de carnes

 

Mocóca, SP, 21.12.2015 - Carne de gado angus ganha mercado no país. Gado da raça angus em pasto da fazenda Cardinal, de propriedade da VPJ Pecuária, na cidade de Mocóca, interior de SP. Peões da fazenda cuidando de rebanho angus. Antes considerada nobre e cara, a carne Angus deslanchou neste ano no país: houve aumento de 21% no abate dos animais de 2014 para 2015, em pleno ano de crise. A raça existe há 116 anos no Brasil, mas só há 10 começou a ser produzida com controle de qualidade rígido. (Foto: Pierre Duarte/Folhapress) **EXCLUSIVO/FSP/AGÊNCIA FOLHA**ESPECIAL**

Queda no consumo diminui importação de carne

As exportações de carnes de 2016 não tiveram expansão de receitas e de volumes como em períodos anteriores. O país avançou, porém, para mercados de grande potencial e que podem garantir elevação da produção nacional.

Mas, assim como as exportações perderam ritmo, as importações também caíram. Pressão da moeda norte-americana e renda menor dos consumidores brasileiros inibiram as compras externas.

A importação brasileira caiu para 61 mil toneladas em 2016, com gastos de US$ 304 milhões. Há dois anos, o país importava 75 mil toneladas, com gastos de US$ 476 milhões, aponta a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

A maior abertura do mercado brasileiro é para carnes bovinas desossadas frescas, refrigeradas ou congeladas. Os principais países fornecedores são os vizinhos Paraguai, Argentina e Uruguai.

A Austrália também está na lista, com o fornecimento de fígado bovino.

A retração econômica provocou ainda queda na importação de carne de cordeiro. O gasto somou US$ 37 milhões -US$ 57 milhões em 2014.

Uruguai, Chile e Nova Zelândia estão entre os fornecedores. Já a carne suína importada pelo país vem do Chile.

NOVOS MERCADOS

Apesar do ritmo menor, as exportações de carnes do Brasil avançaram para países com grande potencial de consumo, como a China, que passou para as primeiras posições.

China e Hong Kong, grandes consumidores de carne suína, encostaram na Rússia, ao comprar 31% do produto vendido pelo Brasil.

A China assumiu também a segunda posição na lista dos principais importadores de carne de frango do Brasil. Os chineses mantêm ainda uma boa posição nas compras de carne bovina, no terceiro lugar. Hong Kong, também porta de entrada de produtos para a China, é líder.

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Se tudo ajudar A safra de uva da Serra Gaúcha (RS), após ter caído para 304 mil toneladas em 2016, deverá subir para 790 mil neste ano, diz a Emater/RS.

Se tudo ajudar 2 O volume é 10% superior à média histórica. Mas as condições climáticas terão de ser favoráveis.

Está barato Estrangeiros voltam aos leilões de máquinas pesadas no Brasil. É uma questão de custo e benefício. Mesmo após taxas e fretes, eles têm vantagens, afirma Pedro Suplicy Barreto, do Superbid, plataforma de leilões on-line.

Investimentos A Alltech Crop Science do Brasil, voltada a soluções naturais para a agricultura, investiu R$ 4 milhões em 2016.

Receitas As receitas da empresa cresceram 30% no ano. Em 2017, grãos e café são considerados setores estratégicos para a empresa.

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Gasto com máquina de café cai 43%

As mudanças no mercado interno de café provocaram um redução drástica nas importações de máquinas para o preparo da bebida.

Pelo menos 150 empresas atuam no setor de produção de cápsulas, segundo estimativas da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café).

Houve uma redução de preços das cápsulas e uma adaptação maior delas a diversas máquinas. No início, cada tipo de cápsula só era adaptável à maquina do fabricante da bebida.

Em 2016, os gastos com importações de máquinas para o preparo de café e de chá recuaram para US$ 52 milhões, ante US$ 92 milhões em 2015.

As principais quedas de importações são de máquinas vindas da China, da Suíça e da Itália. Já as vindas dos Estados Unidos aumentaram.

Pierre Duarte/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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