Vaivém: Câmbio se mantém elemento chave para nova safra

Área de soja sobe, mas de algodão recua, segundo avaliação do Rabobank

9.set.2020 às 23h15

Nas próximas semanas, as máquinas começam a ir a campo para iniciar o plantio de soja da safra 2020/21. O ambiente, à exceção de alguma eventual surpresa, será bastante favorável.

O câmbio continua sendo um elemento chave para a cultura, dando competitividade ao produto brasileiro nas exportações e mantendo boas cotações no mercado interno.

Além disso, os produtores começam a desfrutar da melhora da logística no país. As avaliações são de Victor Ikeda, analista do Rabobank, banco especializado em agronegócio.

“O Brasil segue competitivo, e a área de soja sobe para 37,9 milhões de hectares no país, com produção estimada em 130,1 milhões de toneladas”, diz o analista.

A taxa de câmbio impulsionou as perspectivas de margens da safra 2020/21. Com preços atrativos, os produtores antecipam as vendas dessa nova safra.

Colheita da soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, São Paulo

Colheita da soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, São Paulo – Ricardo Benichio/Folhapress

A estimativa é de preços médios ponderados dessas vendas antecipadas em R$ 84 por saca, o que resultaria em margem operacional de 42%, acima da média dos últimos cinco ciclos, de 38%, segundo Ikeda.

A soja tem sido beneficiada pela demanda da China, por recentes revisões negativas nas condições de lavouras dos Estados Unidos e pela posição de compra dos fundos.

Já o milho continua com preços firmes porque os produtores estão entregando o produto comercializado antecipadamente, mas limitam as vendas no disponível.

Com isso, os primeiros vencimentos do mercado futuro do cereal estão com preços mais elevados do que os contratos mais distantes.

Os preços vão continuar firmes, mas alguns pontos devem ser avaliados por quem carrega estoques. Entre eles, o custo de armazenamento e a taxa de câmbio. Esta última determina a competitividade das exportações.

Para Ikeda, o Brasil deverá exportar 31 milhões de toneladas de milho neste ano, abaixo dos 33 milhões previstos anteriormente.

O algodão terá um cenário menos favorável do que soja e milho. Por ter sido mais afetado pela pandemia, a área deverá recuar 15%, para 1,4 milhão de hectares no Brasil.

O consumo mundial cai 13% nesta safra, em relação à anterior. Além disso, aumento de estoques dos principais exportadores e recuperação lenta da demanda mundial inibem os preços.

As perspectivas de margem operacional na safra 2020/21 são de 33%, contra média de 38% nas três anteriores em Mato Grosso. A margem recua porque a taxa de câmbio impulsionou os custos de produção.

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha

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