Vaivém – China faz estoques mundiais de grãos aumentar, aponta FAO

Volume de milho sobe para 345 milhões de toneladas, acima da previsão de março, de 267 milhões

Os estoques mundiais de cereais subiram para 849 milhões de toneladas neste ano, conforme as mais recentes estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4).

Em março, a FAO previa um volume de 767 milhões de toneladas. O aumento acentuado se deve à revisão e à incorporação dos dados de grãos da China no sistema de previsões da organização.

Apesar do aumento neste ano, os estoques ainda ficam abaixo dos da safra 2017/18, quando a produção foi recorde.

Agricultores chineses secam milho em Tancheng Agricultores chineses secam milho em Tancheng – 30.ago.18/AFP

A China ficou dez anos sem fazer censo agrícola e incorporou uma produção acumulada de 312 milhões de toneladas no período de 2007 a 2017 aos números que já dispunha na série histórica. Com isso, produção e estoques mundiais foram inflados pelo país asiático.

A maior defasagem nos números veio do milho, que o governo chinês elevou em 266 milhões de toneladas no período. A nova estimativa mundial de estoques do cereal para este ano é de 345 milhões de toneladas. Em março, a estimativa era de 267 milhões.

No caso do arroz, o estoque subiu de 175 milhões, em março, para os atuais 182 milhões, enquanto o de trigo foi a 267 milhões, um pouco acima do volume previsto anteriormente.

Os preços médios dos cereais mantêm tendência de queda, segundo o índice de acompanhamento da FAO. No mês passado, cereais e açúcar recuaram, enquanto os lácteos subiram e as carnes ficaram praticamente com preços estáveis.

Os cereais recuaram, em média, 2,2% no período. Essa queda se deve basicamente ao trigo, que caiu devido à acentuada oferta de produto, à demanda fraca e às previsões de boa safra.

Já a queda do milho ocorre devido a uma boa oferta do cereal e perspectivas de safra recorde na Argentina. O país deverá exportar próximo de 30 milhões de toneladas, podendo superar o Brasil no mercado externo.

O preço dos lácteos sobe devido a compras antecipadas das empresas, que esperam queda de produção na Oceania, afetada por enchentes.

As carnes têm preços estáveis, mas a necessidade de importação da China pode melhorar os preços externos neste ano. Já o açúcar, graças à oferta de produto, mantém a queda.

Máquinas agrícolas As vendas acumuladas no primeiro trimestre deste ano somaram 9.294 unidades, 24% mais do que em igual período do ano anterior, segundo a Anfavea (associação do setor).
A força do grão A maior evolução no setor foram as vendas de colheitadeiras de grãos, que atingiram 1.604 unidades de janeiro a março deste ano, 58% mais do que em 2018.
Safra elevada A produção nacional de grãos, que está há várias safras próxima de 230 milhões de toneladas, obriga os produtores a adquirir novas colheitadeiras ou a substituir as mais velhas. Já a venda de tratores tem ritmo menor: 15% mais neste ano.
Bolso furado O indicador médio de preços do café, elaborado pela OIC (Organização Internacional do Café), recuou para o menor patamar desde outubro de 2006.
Bolso furado 2 A queda nos preços da saca no mês passado, conforme dados divulgados pela organização nesta quinta-feira (5), foi de 3,1%, em relação a fevereiro.
Oferta boa As exportações de café nos cinco primeiros meses desta safra atingiram 52,3 milhões de sacas, 6% acima das do período anterior. A produção mundial, que deverá atingir 168 milhões de sacas, superará em 3,1 milhões o consumo.
Mudança de mãos A francesa Vetoquinol assinou acordo para adquirir a Clarion Biociências, laboratório veterinário brasileiro com sede em Goiás. A aquisição permitirá à francesa fortalecer sua presença no Brasil, principalmente na pecuária.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte :Folha

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