Vaivém – China, agora, inibe alta de preços do algodão

 

A China volta a dar as cartas no mercado de algodão na safra 2015/16. A presença chinesa nesta safra terá, no entanto, um papel diferente do exercido nos anos anteriores.

Grande importadora de algodão, o país asiático deverá pisar no freio nas compras externas, inibindo uma alta nos preços.

Mesmo assim, o país continuará sendo o líder mundial nas importações.

A China estabeleceu uma cota de 894 mil toneladas a serem importadas na safra 2015/16, mas as importações deverão ficar próximas de 1,4 milhão de toneladas, 24% abaixo das registradas na safra anterior.

A estimativa é do Icac (International Cotton Advisory Committee), órgão que acompanha o mercado internacional do algodão.

Essa redução de importações visa um aumento do consumo do algodão produzido internamente. A produção chinesa é de 5,4 milhões de toneladas, e o consumo, de 7,7 milhões.

Somando produção, estoques e importações, a oferta de algodão será de 18 milhões de toneladas na China, prevê o Icac.

Os números de participação da China no mercado internacional indicam essa desaceleração das compras.

Em 2011/12, os chineses participaram com 55% das importações mundiais. Neste ano, o percentual deverá ser de apenas 17%.

O produto de melhor qualidade estava cotado a 91 centavos de dólar por libra-peso, em média, na safra 2013/14. Em 2015/16, deverá ficar em 73 centavos de dólar, na avaliação do órgão.

A dúvida, que acaba sendo um alívio para os exportadores, é a qualidade dos estoques de algodão da China. Daniele Siqueira, analista da AgRural, afirma que provavelmente eles vão continuar importando produto de boa qualidade para misturar com o que eles possuem, de qualidade inferior.

Eles têm estoques para dois anos, mesmo assim as importações podem ficar acima do esperado devido à qualidade do produto existente no país, afirma ela.

As importações chinesas vinham em ritmo crescente até a crise financeira de 2008. Na safra 2005/06, o país chegou a importar 4,2 milhões de toneladas de algodão. Em 2008/09, as compras chinesas caíram para 1,5 milhão de toneladas, mas subiram para 5,3 milhões em 2011/12.

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Em alta O valor do quilo do frango subiu para R$ 3,10 nas granjas paulistas nesta quarta-feira (4), 1,6% mais do que no dia anterior. Em 30 dias, a alta acumulada é de 6,9%, segundo cotações da JOX Assessoria.

Em queda A arroba de suíno recuou para R$ 77 nesta quarta (4), 1% menos do que no dia anterior. Nos últimos 30 dias, o produto teve queda de 10%, acumulando 23% em relação aos valores de há um ano, conforme pesquisa daFolha.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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