Vaivém – China abre perspectivas para sorgo e milho brasileiros

Nos próximos dez anos, as importações chinesas de grãos para a produção de ração vão ter forte crescimento, segundo banco

A China deverá usar pelo menos 300 milhões de toneladas de grãos para a composição de ração nos anos 2030. Isso abre uma nova janela para o Brasil.
Líderes mundiais em importações de soja, os chineses vão se tornar também grandes compradores de milho, de sorgo, de cevada e de trigo.
Com solos bastante variados, o Brasil poderá avançar na produção de todas essas culturas e, assim como já faz com soja, abocanhar uma parte ainda maior do mercado internacional de grãos.

No porto de Santos (SP), funcionário do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita) descarrega milho que será enviado de navio à China, país que ajudou o agro brasileiro a obter recordes de venda mesmo em ano de crise

No porto de Santos (SP), funcionário do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita) descarrega milho que será enviado de navio à China, país que ajudou o agro brasileiro a obter recordes de venda mesmo em ano de crise Eduardo Knapp/Folhapress

O apetite chinês, agora voltado para outros grãos, gera um crescimento firme no consumo interno do país asiático, provoca um patamar recorde de importação e eleva preços.
Esses devem ser os novos pontos de equilíbrio a serem levados em consideração para os grãos usados na composição de ração na China até 2030, conforme um relatório do Rabobank, banco especializado em agronegócio.
O aumento da demanda chinesa de grãos tem como base uma recomposição da suinocultura no país, devastada pela febre africana suína, a partir de meados de 2018.
Além disso, para reduzir o déficit de proteínas, os chineses estão apostando muito em um aumento da produção na avicultura.
Das safras 2020/21 a 2025/26, o consumo de grãos deverá ter elevação de 3,3% ao ano. Já na segunda metade da década, a evolução será de 1,5%.
Esse recuo na taxa ocorre devido a uma evolução na genética dos animais, a uma melhora na taxa de conversão dos alimentos, a uma maior produtividade e a um possível recuo no consumo de proteínas.
Para melhorar a produção e elevar a oferta interna de grãos, a China deverá fazer mudanças na política agrícola. Uma delas será o aumento ou a liberação da cota de importação de milho, hoje em 7,2 milhões de toneladas por safra. A demanda poderá chegar a 30 milhões de toneladas.
O governo deverá rever a política de estímulos para a produção, com mais subsídios e maior volume de seguro, segundo o Rabobank. É um desafio, uma vez que, para aumentar a produtividade, deverão ser utilizadas sementes de qualidade, agricultura de precisão e o uso de milho transgênico com resistência a estresse hídrico.
Os chineses, que têm um déficit de milho desde a safra 2015/16, deverão equilibrar oferta e demanda nos anos 2030.
Mesmo assim, haverá a necessidade de importações de milho e de outros grãos, como sorgo, trigo e cevada. Os chineses querem manter estoques adequados e se prevenirem contra quebras de safra. A China comprou 920 mil toneladas de soja dos Estados Unidos na semana terminada em 10 de dezembro. As compras de milho somaram 232 mil, as de sorgo, 326 mil, e as de trigo, 68 mil.
Segundo o Rabobank, os americanos têm o maior potencial de exportação desses grãos para os chineses. Após a guerra comercial entre os dois países, porém, a China quer abrir novos canais para a compra desse grãos no Brasil, na Argentina e na Ucrânia.

Café As lavouras deste ano tiveram um bom desempenho e atingiram 63 milhões de sacas de café beneficiado, um recorde em volume e 28% mais do que em 2019.
Café 2 A safra foi influenciada pelo efeito da bienalidade positiva. Em relação a 2018, quando também houve esse efeito, a evolução é de 2%, segundo dados da Conab. A produção de café arábica foi de 49 milhões de sacas.??
Matocompetição É um problema crescente no Brasil, pois não existem soluções efetivas para o controle das plantas daninhas. Elas competem por água, por luz, por nutrientes e por espaço com as culturas normais, além de hospedar pragas e doenças.
Prejuízos O resultado dessas ervas daninhas nas lavouras é um impacto na qualidade final do produto e uma perda de 15% na produtividade. Além dessa perda há uma elevação dos custos com o controle. No caso da soja, carro-chefe das lavouras brasileiras, a perda já chega a R$ 9 bilhões por ano, com custos de R$ 4,2 bilhões no controle das plantas daninhas.
Minimizar perdas Elton Visioli, gerente de produtos herbicidas da Ihara, afirma que o desenvolvimento de soluções tecnológicas e inovadoras colaboram para que estas perdas sejam minimizadas, tanto pela proteção mais efetiva dos cultivos como pela melhoria do manejo.
Controle Para Visioli, os herbicidas pré-emergentes contribuem para o aumento da produtividade, pois se destacam pelo longo período residual, pela alta seletividade e pelo controle das principais plantas daninhas resistentes no Brasil. A empresa, segundo ele, está investindo nessa linha de produto.
Repensando Os associados da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) previam uma redução de 16% na área de plantio e de 17% na produção de algodão para a safra 2020/21.
Cenário novo Informações vindas da indústria, de que a retomada está melhor do que o previsto, animaram os produtores. Área e produção poderão ficar acima do 1,3 milhão de hectares e dos 2,4 milhões de toneladas previstos inicialmente.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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