Vaivém – Celulose se destaca com alta de volume e preço de exportações

Plantação de eucalipto da Eldorado Brasil, em Três Lagoas (MS)

O setor de celulose é um dos poucos que ainda mantêm elevação do volume exportado pelo Brasil e preços em ascensão no mercado internacional.

Os dados ainda parciais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) para este mês apontam para exportações de 1,1 milhão de toneladas de celulose, volume que, se confirmado, superará em 9% o de outubro de 2014.

As receitas, também em alta, devem atingir US$ 550 milhões, 17% mais do que as registradas em igual período do ano passado.

A Secex indica que a média de preços das exportações brasileiras do produto ocorrem a US$ 504 por tonelada, acima dos US$ 468 de há um ano.

O bom desempenho do setor não é um fator isolado deste mês, mas vem ocorrendo durante todo o ano.

As exportações totais de papel e de celulose já somam US$ 5,6 bilhões de janeiro a setembro, ante US$ 5,4 bilhões nos nove primeiros meses do ano passado.

Os dados de participação nas exportações totais apontam essa boa fase. No mês passado, as vendas externas de celulose e de papel atingiram 4,1% do total do país. No mesmo período de 2014, o percentual era de 3,1%.

Esse cenário reflete sobre as empresas do setor, principalmente porque as receitas com as vendas do produto são 100% em dólares, que está valorizado. Já os custos, ao contrário, são 80% em reais.

O dólar ajuda as exportações neste momento, mas a base dos fortes investimentos que vêm sendo feitos no setor é a demanda mundial crescente, segundo José Carlos Grubisich, presidente da Eldorado Brasil, localizada em Três Lagoas (MS).

"Estamos pensando no longo prazo, uma vez que o consumo mundial cresce de 1,3 milhão a 1,5 milhão de toneladas por ano. E o Brasil é o país mais competitivo nesse setor no setor", diz ele.

A China, gigante nas importações de commodities –e que pisou no freio nas compras de algumas delas–, ainda mantém um bom apetite por celulose.

"Até hoje não houve impacto nas importações chinesas no nosso setor, e não deverá haver devido à decisão do governo de motivar a renda e elevar o consumo", diz Grubisich.

Demanda crescente, preços em dólar em alta e competitividade do Brasil são garantias para os investimentos atuais, segundo o presidente da Eldorado.

A empresa investe R$ 10 bilhões na ampliação da fábrica em Mato Grosso do Sul. Pelo menos R$ 8 bilhões serão no projeto industrial.

Com uma produção atual anualizada em 1,7 milhão de toneladas, a Eldorado deverá superar 4 milhões de toneladas a partir de 2018.

A Fibria, também produtora e exportadora de celulose, está ampliando a fábrica de Três Lagoas (MS). Com capacidade atual de 1,3 milhão de toneladas, a empresa passará a produzir 3 milhões no final de 2017.

Os investimentos da Fibria somam R$ 8 bilhões.

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Indústrias buscam o pneu ideal para o agronegócio

Em período de preços em baixa no mercado internacional, a busca é pela redução de custos nas lavouras.

Atentas a essas exigências dos produtores, empresas –mesmo que não estejam ligadas diretamente ao fornecimento de insumos específicos para o setor– buscam soluções para essa redução e, consequentemente, ampliar a participação nesse mercado crescente do agronegócio.

A Michelin aposta em nova tecnologia de pneus, em substituição aos radiais, para reduzir a compactação do solo e elevar a produtividade das lavouras.

Um estudo no Reino Unido indica que esse novo processo pode elevar em 4% a produtividade das lavouras e reduzir em US$ 1,2 bilhão por ano o custo causado pela compactação do solo no país.

A Universidade Harper Adams, responsável pelo estudo, e a Michelin firmaram parceira para continuar as pesquisas até 2018.

Christian Mendonça, diretor de pneus da empresa para a América do Sul, acredita que essa tecnologia poderia elevar a produção média de soja para 3.120 quilos por hectare nas lavouras brasileiras.

Na safra passada, a produção média nacional ficou em 2.999 quilos, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Já a Goodyear aposta em nova tecnologia de pneus voltada para regiões típicas de produção de soja e de milho, onde predominam estradas mais sinuosas.

Segundo a empresa essa nova tecnologia, que será colocada no mercado em breve, dará uma melhor relação de custo-benefício para o setor de transporte no agronegócio.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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