Vaivém: Café e isolamento social se dão muito bem, o que eleva o consumo da bebida

Para presidente do Sindicafé-SP, outros fatores também colaboram para demanda mundial recorde

Isolamento em casa e café se dão muito bem. E esse pode ser um dos motivos de o consumo mundial bater o recorde neste ano, segundo Nathan Herszkowicz, presidente-executivo do Sindicafé-SP (Sindicato das Indústrias de Café do Estado de São Paulo).

Só isso, porém, não explica a evolução que o setor vem obtendo recentemente, segundo ele.
Na semana passada, o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estimou que o consumo mundial de café deverá chegar ao recorde de 166,3 milhões de sacas.

Aumento de consumo e números recordes virão da União Europeia, principal consumidora mundial, dos Estados Unidos, do Brasil e até da China, embora o consumo deste último país fique bem distante do dos países citados anteriormente.

Projeto Mulheres do Café oferece cursos de aperfeiçoamento profissional e pessoal para produtoras do Paraná

Projeto Mulheres do Café oferece cursos de aperfeiçoamento profissional e pessoal para produtoras do Paraná Yasmin Schafer/Emater-PR/

Na avaliação do Usda, a União Europeia deverá consumir 46,3 milhões de sacas de café na safra 2020/21. Nos Estados Unidos, o consumo subirá para 27,3 milhões, e no Brasil ficará em 23,5 milhões de sacas.

A China, o mercado do sonho do setor, devido ao tamanho da população do país, consumirá 3,4 milhões de sacas, o maior volume registrado até então. O Japão, outro importante consumidor mundial, utilizará 8,1 milhões de sacas.

Herszkowicz acredita que o fenômeno atual não é isolado, mas que consumo de café continuará crescendo.

Aromas e sabores da bebida atraem cada vez mais os consumidores, que não ficam limitados apenas a um tipo de café, mas querem experimentar as bebidas provindas de várias regiões produtoras.

Outro fator de crescimento é a participação dos jovens. Os novos consumidores exigem sustentabilidade e saudabilidade, características que o café tem, segundo o presidente do Sindicafé.

“O café está em transformação. A bebida de hoje não é a mesma do passado e sofrerá boa evolução no futuro”, segundo Herszkowicz.

Para o presidente do Sindicafé, o café é um companheiro assíduo do trabalho, dá energia e desperta o raciocínio. Essas características explicam a atratividade da bebida.

Os números do Usda para a safra 2020/21 indicam que a produção mundial será recorde, atingindo 176 milhões de sacas, 10 milhões de sacas acima do consumo.

O Brasil, principal produtor mundial, obterá o recorde de 67,9 milhões de sacas, das quais 47,8 milhões serão do tipo arábica e 20,1 milhões de café robusta.

O Brasil é líder mundial na produção de café arábica, e o Vietnã está à frente na de café robusta.
Brasil, Vietnã e Colômbia lideram a produção e a exportação mundiais de café.

CENÁRIO BOM PARA O TRIGO ELEVA ÁREA DE PLANTIO EM RS

A safra de inverno deverá utilizar 1,3 milhão de hectares neste ano no Rio Grande do Sul, rendendo 2,97 milhões de toneladas. Se confirmados, esses números indicarão um aumento de área, mas uma queda de produção em relação à safra anterior.

Segundo a Emater/RS, a produção de trigo, o principal produto da temporada, será de 2,19 milhões de toneladas, e o cereal será semeada em 916 mil hectares.

Os bons preços do trigo incentivaram os produtores, que vão aumentar em 20% a área de plantio neste ano. A produtividade média deverá ser de 2.391 quilos por hectare, na avaliação da Emater.

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha