Vaivém – Café de qualidade resiste ao avanço da cana em SP

 

O cultivo do café de qualidade resistiu à investida da cana-de-açúcar na região da mogiana paulista.

É o que mostra mapeamento da Embrapa para avaliar a expansão da cana sobre outras culturas e os efeitos sociais e ambientais no Estado.

Houve uma expansão conjunta dessas duas atividades nessa região, diferentemente do que ocorreu em outras, nas quais a cana-de-açúcar avançou sobre áreas agrícolas tradicionais, como a citricultura, diz Carlos Cesar Ronquim, pesquisador da Embrapa.

O estudo abrange uma área de 51 mil km2 no norte e no nordeste do Estado e compara imagens de satélites de 1988 e 2015 em uma área de 125 municípios.

Em muitos deles, o café perdeu espaço. Preços baixos, custos elevados de produção e dificuldades na obtenção de mão de obra retiraram muitos produtores do setor cafeeiro.

Na região de mogiana paulista, no entanto, 25 municípios viram a área de café crescer. O estudo levou em consideração municípios com área superior a mil hectares plantados com café.

Com isso, mais de 50% da cultura da produção de café está concentrada na região localizada próxima à divisa com Minas Gerais.

São Paulo tem atualmente a segunda maior produção nacional de café arábica. A liderança fica com Minas Gerais.

O mais recente levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indica uma produção de 21,5 milhões de sacas de café arábica para os mineiros e de 3,8 milhões para os paulistas.

Tomando como base também a produção de café robusta, a segunda posição fica para o Espírito Santo, cujo volume total é de 10,4 milhões de sacas.

O mapeamento da Embrapa apontou que a cafeicultura, que ocupava uma área de 58 mil hectares em 1988 nesses 25 municípios, está com 111 mil neste ano.

Apesar de o café ter resistido e até avançado em área, a expansão da cana foi ainda maior nessa região, aumentando de 61 mil para 235 mil hectares.

A permanência e a ampliação da área de café se dão por vários motivos, segundo Ronquim. Clima, relevo e a opção por um café de qualidade, com maior geração de valores, são os principais motivos.

O fato de a mogiana ser uma região tradicional de café, com toda a infraestrutura, também é um dos motivos da resistência da cafeicultura.

Apesar da expansão da cana nos últimos anos, o cultivo do café está sendo beneficiado na região também por parte do terreno ser acidentado.

A chegada da mecanização na colheita da cana não permite a utilização desses terrenos em aclive nessa cultura.

Além disso, a distância das usinas, montadas em regiões mais tradicionais de cana, onera o transporte e freia um pouco o avanço da cana.

Ronquim diz que o avanço da cana é mais agressivo porque tem por trás grupos fortes, inclusive internacionais. Já a cafeicultura tem basicamente pequenos produtores na atividade.

A qualidade do café na mogiana –que já tem até uma certificação geográfica–e a mecanização da colheita de parte dos cafezais têm dado sustentação à cultura.

Café e cana ainda têm áreas para a expansão na região, uma vez que o espaço dado à pastagem é grande. Essa expansão vai depender dos preços no futuro.

O avanço da cana poderá ser mais rápido, enquanto o do café é mais a longo prazo, segundo o pesquisador.

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Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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