Vaivém – Brasil perde para a Tailândia liderança na venda de frango para União Europeia

Operações do PF são pretexto para bloco impor restrições ao produto brasileiro

Caminhão com frangos em Carambeí (PR)

Caminhão com frangos em Carambeí (PR) – Adriano Vizoni – 8.mar.18/Folhapress

O Brasil, líder mundial nas exportações de carne de frango, está dando um passo atrás neste ano. Principal exportador para a União Europeia, está perdendo a liderança do mercado europeu e cedendo o lugar para a Tailândia.

As exportações brasileiras de frango somaram 69,4 mil toneladas de janeiro a março deste ano, 43% menos do que em igual período de 2017. Já as dos tailandeses subiram para 76,4 mil toneladas, 11% mais do que no primeiro trimestre do ano passado.

A União Europeia gosta de colocar entraves nas importações, e as operações da Polícia Federal no setor de proteínas foram o filé que os europeus precisavam para ampliar as barreiras.

Em março do ano passado, o mercado foi abalado pela Operação Carne Fraca, que teve uma segunda fase em março deste ano.

Para evitar retaliações dos europeus, o Ministério da Agricultura fez uma lista de autossuspensão de vários frigoríficos brasileiros até então habilitados a exportar para o bloco europeu.

A União Europeia também fez uma lista própria, o que interrompeu o curso normal das exportações brasileiras.

A queda nas vendas externas deve continuar. No período da greve dos caminhoneiros, no fim do mês passado, a indústria de carne de frango deixou de exportar pelo menos 135 mil toneladas, devido à interrupção de abate e bloqueio nas estradas.

Os números são da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que prevê dificuldades no abastecimento de carne de frango nos próximos meses devido à morte de 70 milhões de aves.

O ritmo lento de exportações afetou também a indústria de carne bovina, que deixou de exportar 40 mil toneladas no período da greve.

Na sexta-feira (1º), o setor tinha 1.400 contêineres que aguardavam embarque externo, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

O Brasil perde lugar nas exportações para países da América do Sul. O Chile elevou em 67% as vendas de frango para a Europa no primeiro trimestre deste ano, enquanto a Argentina aumentou em 50%. Até os chineses ganharam espaço no mercado europeu, ao exportar 42% mais no período.

PARADO

Após a manifestação dos caminhoneiros, quem parou agora foi o mercado de grãos. Sem uma definição dos valores dos fretes, importantes na formação dos preços das mercadorias, as negociações entre produtores e compradores foram interrompidas em várias regiões do país. Um dos motivos da paralisação dos negócios são as discussões sobre a tabela mínima de frete, com a qual o setor de grãos não concorda. Para Antonio Galvan, da Aprosoja (associação dos produtores), que apoiou o movimento no início, a tabela "é uma interferência do governo na iniciativa privada".

Boi no pasto Os preços do boi e da vaca estão com leve queda, devido à paralisação dos caminhoneiros, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Ficaram presos no pasto.

Milho A produção menor no inverno provoca alta nos preços do cereal que será entregue nos meses de julho e de agosto. Em Dourados (MS), a saca subiu para R$ 33. Há um mês, estava em R$ 25, de acordo com coleta realizada pela AgRural.

Benefícios Os produtores de algodão não olham mais apenas para uma acelerada expansão de área, mas para um aumento contínuo da produtividade. Gera mais receita e, indiretamente, beneficia o ambiente.

Produtividade Quando a cotonicultura chegou ao cerrado, a produtividade era de 675 quilos de pluma por hectare. Hoje está em 1.700 quilos, de acorco com informações da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão).

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

Fonte : Folha