vaivém – Brasil lidera produção mundial de café, mas perde receitas

Exportações de torrado e moído, produto de maior valor agregado, cai, mas importações sobem

Agricultores colhem café robusta em  São Gabriel da Palha, no Espírito Santo

Agricultores colhem café robusta em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo – José Roberto Gomes – 2.mai.18/Reuters

O Brasil reafirma neste ano a liderança mundial na produção de café. A safra renderá 58 milhões de sacas, um volume recorde.

As receitas que ficam nas mãos de produtores, das indústrias e até dos exportadores brasileiros, no entanto, encurtam.

O café tem produção e demanda mundiais crescentes, mas as receitas ficam cada vez mais na pós-industrialização e menos na produção inicial.

E o Brasil, líder mundial nas exportações de grãos, não tem presença na oferta externa de café industrializado, produto que gera valor agregado e está reservado aos grandes grupos.

As exigências sobre os produtores crescem cada vez mais, principalmente as ligadas à sustentabilidade e à qualidade do produto, o que eleva custos.

Essa qualidade, porém, rende mais na ponta do consumo do que no valor da saca. O Brasil avança anualmente na quantidade de café considerado diferenciado no mercado.

Neste ano, os dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) indicam que o país colocou 10,1 milhões de sacas de café no mercado externo.

Desse volume, 18% foram de cafés diferenciados, que representaram apenas 21% das receitas totais obtidas no período.

Se os cafés diferenciados rendem menos do que poderiam, as receitas com exportação de café torrado e moído decepcionam ainda mais. Ano após ano o país vem registrando queda neste segmento.

Nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil exportou o correspondente a US$ 4,24 milhões de café torrado e moído, mas importou US$ 18,81 milhões no mesmo período.

O mercado externo já está ocupado por grandes empresas, muitas delas atuando também no mercado interno brasileiro. A manutenção do "status quo" é conveniente para muitas.

O Brasil é atraente para as gigantes do setor não só porque aqui elas se abastecem de matéria-prima, mas também estão de olho no segundo maior mercado consumidor do mundo.

A produção brasileira de café será recorde porque as lavouras passaram pela chamada bienalidade positiva. Os cafeeiros produzem muito em um ano e perdem força no seguinte.

A produção deste ano deverá ser 29% superior à de 2017. Quando comparada à de 2016, período em que houve outra bienalidade positiva, o aumento é 14%.

Faesp recomenda recolhimento de contribuição sindical rural

O não recolhimento da contribuição sindical rural poderá trazer uma insegurança jurídica.

É o que mostra comunicado da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), do Senar (Sistema Nacional de Aprendizagem Rural) e dos sindicatos rurais em jornais desta sexta-feira (18).

A reforma trabalhista condiciona o recolhimento da contribuição sindical à autorização prévia e expressa dos que participam de uma determinada categoria e econômica ou profissional.

A inconstitucionalidade dessa alteração legislativa, no entanto, é objeto de diversas ações no Supremo Tribunal Federal, segundo a Faesp.

A entidade afirma ainda que a contribuição rural foi instituída por decreto-lei e não se sujeita a alterações promovidas pela reforma trabalhista.

A Faesp destaca também os posicionamentos da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho que apontam a necessidade de uma lei complementar para a alteração contribuição sindical.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

Fonte : Folha