Vaivém – Brasil cai no ranking de importação de agrícolas da UE

 

Um dos principais setores da economia brasileira, o agronegócio começa a apresentar sinais de problemas no mercado externo.

Líder mundial em fornecer produtos agropecuários para a União Europeia, o Brasil está perdendo espaço para outros concorrentes.

É o que mostram dados da UE desta segunda (21). A exportação brasileira dos últimos 12 meses até janeiro somou R$ 52 bilhões para o bloco, 1,3% a menos do que em igual período anterior.

Nos últimos 12 meses, a participação brasileira no total de alimentos importados pela União Europeia (28 países) foi de 12%, abaixo dos 13% de igual período anterior.

Já os Estados Unidos, que buscam uma aproximação cada vez maior do mercado europeu, elevaram a participação de 10% para 11%.

O problema para o Brasil é que, após liderar as exportações para a UE em 12 meses, o país teve acentuada queda em janeiro último.

Nessa avaliação, a União Europeia considera o quanto cada país teve de evolução ou redução das exportações para o bloco.

O Brasil exportou R$ 3,76 bilhões no primeiro mês do ano para a UE, 5% menos do que em janeiro de 2015.

Nesse mesmo período, dez países elevaram as exportações para a Europa, enquanto o Brasil esteve entre os que mais tiveram queda no valor dessas exportações.

A redução nas vendas externas do Brasil foi de R$ 200 milhões no mês.

Apesar desse desempenho menor, o Brasil foi o segundo maior exportador para a UE no primeiro mês do ano, atrás apenas dos Estados Unidos, cujas exportações corresponderam a R$ 5,13 bilhões no mesmo.

O Brasil pode estar passando apenas por problemas pontuais nas vendas externas –a Europa importou 8% menos soja, um dos itens líderes da balança do Brasil.

Mas o avanço das negociações entre europeus e norte-americanos representam um perigo para o país.

Além disso, estão emperradas as negociações do Mercosul com os europeus, diminuindo as chances de o país melhorar o volume exportado para a União Europeia no futuro.

EXPORTAÇÕES

Quando avaliadas as exportações dos países do bloco, elas também preocupam. Os europeus estão avançando em países sobre os quais o Brasil deposita um olhar especial. Entre eles, africanos, Oriente Médio e Ásia.

Eliminada boa parte das sanções econômicas sobre o Irã, os europeus também se voltam para o país, um mercado promissor.

O bloco elevou em 44% as exportações de janeiro deste ano, em relação a igual período de 2015, para o Irã.

A exportação europeia cresce também para a China, principal parceiro do Brasil. A alta é de 39% em 12 meses.

Resta ao Brasil a Rússia. Devido a sanções econômicas, as exportações da União Europeia para os russos recuaram 36% no ano passado.

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Concorrência 1 A União Europeia, mesmo sem produzir café, elevou em 13% as exportações do produto torrado e moído nos últimos 12 meses até janeiro, ante igual período anterior. Incluindo chá, o valor foi de R$ 4 bilhões.

Concorrência 2 Os europeus aumentam também as exportações de gado vivo, um mercado disputado pelos brasileiros. As vendas subiram 25%, somando R$ 9,7 bilhões.

Soja As exportações da oleaginosa já indicam um volume superior a 7 milhões de toneladas neste mês, conforme dados até agora da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). No mesmo mês do ano passado, haviam saído 5,56 milhões de soja pelos portos brasileiros.

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Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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