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Vaivém – Bolsonaro terá de amenizar discurso para Brasil não perder mercado externo

Se candidato ignorar políticas comerciais e dividir países pela cor da bandeira, trará retrocesso

Se eleito, como indicam as pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) [1] vai ter de arrefecer seu discurso radical.

Facilmente aceito pela maioria da população brasileira neste momento, ele será um grande empecilho nas negociações externas.

O grande afetado nesse contexto será o agronegócio, que poderá perder bilhões de reais nas negociações externas.

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) 
O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) – Mauro Pimentel – 11.out.18/AFP

Se o candidato ignorar políticas comerciais e dividir os países para negociações comerciais conforme as cores das bandeiras, provocará um retrocesso do país no exterior.

Pesam contra Bolsonaro declarações favoráveis à mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém —uma afronta aos países árabes [2].

Além disso, o candidato criticou a presença de empresas chinesas no Brasil [3], principalmente na área de energia. Os chineses também não ficaram confortáveis com a visita dele a Taiwan neste ano.

Qualquer afronta brasileira e uma eventual retaliação do país asiático trariam grande prejuízo para o agronegócio.

Até setembro, os chineses importaram o correspondente a US$ 24,5 bilhões do Brasil (R$ 90 bilhões, com base no dólar a R$ 3,69), 37% da exportação total de alimentos.

Outras áreas sensíveis são Oriente Médio e Irã, onde países de maioria muçulmana não aceitariam a mudança da embaixada.

Neste ano, as exportações brasileiras de alimentos para os árabes somam US$ 8,1 bilhões, 12% do total exportado pelo Brasil. Cereais, carnes e açúcar encabeçam a lista desses produtos.

O Irã, outro importante parceiro comercial, já comprou 4,7 milhões de toneladas de milho do Brasil até setembro, gastando US$ 3,5 bilhões.

Não dá para o país imaginar que, por ser um grande produtor de alimentos, jamais será deixado de lado em alguma disputa política ou econômica.

O país perdeu a preferência dos europeus pelo frango. O bloco se voltou para a Tailândia. Os russos, que levavam 40% da carne suína brasileira, fecharam as portas ao produto brasileiro no ano passado e não voltaram mais.

Até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump [4], ao impor barreiras industriais a alguns países e criar uma guerra comercial, viu o fluxo de produtos agropecuários minguar para alguns importantes mercados.

O resultado foi que, para aliviar um pouco a situação dos produtores americanos, destinou subsídios no valor de US$ 12 bilhões para o setor. Desse valor, US$ 4,7 bilhões já foram distribuídos. O Brasil teria condições de fazer isso?

A menor participação dos americanos no setor externo poderá elevar os estoques finais de soja da safra 2018/19 dos Estados Unidos para 24 milhões de toneladas. Na safra 2016/17, eram 8,2 milhões. Na 2017/18, 11,9 milhões.

DÉFICIT DE AÇÚCAR

Revisão de safra em alguns dos principais produtores mundiais de açúcar fez a Datagro refazer as expectativas de oferta e demanda do produto em 2018/19. Prevendo anteriormente um superávit de 3,68 milhões de toneladas, a consultoria estima agora um déficit de 710 mil toneladas para o período. Em 2017/18 houve um excedente de 8,35 milhões.
A produção de açúcar deverá somar 27,3 milhões de toneladas no centro-sul. Já a de etanol sobe para 30,5 bilhões de litros, segundo a Datagro. Apenas 36% da cana colhida será destinada à produção de açúcar, com o restante ficando para a fabricação de etanol.
O aumento da utilização da cana para a produção de etanol se deve à alta dos preços da gasolina e às mudanças tributárias. O consumo de etanol soma 11,5 bilhões de litros de janeiro a agosto, 42% mais que em 2017, segundo a Reuters.

Relacionamento Produtores de café do cerrado mineiro e representantes das indústrias de torrefação se encontram nesta terça-feira (23) no Sindicafé, em São Paulo. Haverá uma apresentação, pelos produtores de café, do produto da nova safra, que será avaliado pela indústria.

Confiança A Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro vai apresentar as principais características da produção e da denominação de origem do produto da região. Para a Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), o encontro serve para um aumento da confiança nos negócios entre as partes.

Oportunidades A produção de algodão na Austrália está abaixo do esperado, segundo dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Os australianos ocupam o quarto posto nas exportações mundiais do pluma, e a quebra de produção no país poderá deixar mais espaço para o Brasil.

Furacões A avaliação é do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), que vê problemas também na safra dos EUA. Algumas das áreas de produção do país foram afetadas pela passagem de furacões, o que resultou em queda da qualidade do produto. Os americanos estão em período de colheita.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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