Vaivém – Avicultura espera acerto com árabes sobre contratos negociados antes da suspensão

Brasil quer, ainda, que Arábia Saudita receba 8.000 toneladas de carne que já estão em alto mar

O setor de avicultura do Brasil espera para os próximos dias alguma manifestação da Arábia Saudita sobre um pedido brasileiro para uma reavaliação das negociações entre os dois países.

Os exportadores brasileiros pedem que as 8.000 toneladas que estão em alto mar, a caminho da Arábia Saudita, sejam aceitas pelos árabes.

O Brasil quer, ainda, uma reinscrição dos frigoríficos suspensos na lista dos exportadores e que os contratos feitos anteriormente à suspensão árabe, ocorrida em janeiro, possam ser cumpridos.

Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) acredita que essas negociações tenham boas chances de serem levadas adiante.

00Aves em granja no interior de São Paulo – Rodrigo Paiva – 03.jul.15/Folhapress

Até o momento não há uma decisão oficial dos árabes, mas o executivo brasileiro vê uma boa vontade da Arábia Saudita. "São 45 anos de história entre os dois países."

Para o presidente da ABPA, os árabes devem fazer, dentro dos próximos 90 dias, uma nova visita de avaliação das condições dos frigoríficos brasileiros.

O mercado da Arábia Saudita é muito importante para o Brasil. Maior importador de carne de frango brasileiro, o país árabe está desenvolvendo, porém, uma produção própria e quer menor dependência do Brasil.

Essa seria, segundo o mercado, uma das causas da suspensão de parte das importações ocorrida no mês passado. As condições brasileiras de produção, contudo, garantem aos produtores nacionais condições mais competitivas.

No ano passado, a Arábia Saudita foi responsável pela compra de pelo menos 12% da carne de frango exportada pelo Brasil.

As exportações brasileiras de proteínas vêm crescendo neste ano, e Turra tem esperanças de avanços ainda maiores.

A China, devido ao recente agravamento de problemas sanitários internos, vai necessitar de mais carnes suína e de aves. Há espaço, portanto, para maiores exportações brasileiras para esse mercado asiático.

Sobre a concorrência dos Estados Unidos, que poderia vir da colocação de um ponto final na guerra comercial entre chineses e americanos, Turra diz que "há espaço para os dois no mercado chinês".

Ele destaca, porém, que as condições sanitárias brasileiras são bem diferentes das dos EUA, país que teve uma série de problemas recentemente.

Inflação  Os produtos agropecuários subiram 2,71% no atacado neste mês. No ano, a alta é de 1,98%. Os dados são do IGP-M da FGV, que registrou inflação média de 0,89% no mês.

Pressões Entre as principais altas de fevereiro está o feijão, que subiu 62%. Em janeiro, o produto já havia aumentado 16%. O leite também puxou a inflação, com evolução de 9%

Vem mais O preço do leite subiu 10% no campo neste mês, o que deve pressionar ainda mais as negociações no atacado nas próximas semanas. O dado é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Competição Os técnicos do Cepea avaliam que a alta de preço do leite, que deverá continuar em março, ocorre devido à menor oferta de produto e à competição de compras entre as indústrias.

Recorde As exportações do setor de florestas atingiram US$ 11 bilhões no ano passado, 26% mais do que em 2017. A celulose teve elevação de 33%, graças ao aumento de compras da China, segundo a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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