Vaivém – Arroba de boi atinge recorde de R$ 300 e não dá alívio ao consumidor

O Cepea vem registrando elevação de preços nos últimos dias, e valor atual supera em 57% o de há um ano

    O boi de melhor qualidade e localizado em regiões mais bem favorecidas de mercado já ultrapassa R$ 300 por arroba no estado de São Paulo. A esperada queda dos preços, após o recuo de dezembro, não ocorreu.
    Os fatores atuais de alta são os mesmos de 2020. De um lado, não há uma oferta suficiente de boi no pasto para o abate. De outro, a demanda externa pelo produto brasileiro continua.
    As exportações médias brasileiras nas três primeiras semanas deste mês somaram 85 mil toneladas, uma média diária de 5.671 toneladas. Este volume diário supera em 7% o de janeiro do ano passado.
    O preço da arroba de boi vai ser definida pelas demandas externa, principalmente a vinda da China, e interna. Esta última ainda está bastante indefinida, devido ao fim do auxílio emergencial e do aumento de desemprego.
    A avaliação é de Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

    Transporte de gado vivo

    Gado confinado para exportação na fazenda Tabaju em Sales, no interior de SP. 5400 cabeças de gado são exportadas de navio para a Turquia em uma transferência que gera polêmica entre defensores dos animais e pecuaristas -

    Gado confinado para exportação na fazenda Tabaju em Sales, no interior de SP. 5400 cabeças de gado são exportadas de navio para a Turquia em uma transferência que gera polêmica entre defensores dos animais e pecuaristas – Diego Padgurschi/Folhapress

    A pressão chinesa, devido à reposição parcial da suinocultura no país asiático, não deve ser tão intensa como foi nos últimos dois anos. Carvalho acredita, no entanto, que os chineses se adaptaram ao padrão da carne brasileira e, principalmente, à competitividade do produto nacional.
    O aumento de renda na China e a população cada vez mais concentrada em centros urbanos vão sempre deixar espaço para a carne bovina brasileira, segundo o pesquisador.
    A redução dos preços internos, apesar da renda menor do consumidor, dependerá de até quanto os pecuaristas estão dispostos a reduzir o valor da arroba, uma vez que a oferta é limitada.
    A oferta de gado poderia melhorar com o confinamento, a partir de maio, mas muitos pecuaristas vão ter dificuldades de levar adiante essa atividade devido aos elevados custos dos grãos.
    As altas do milho e da soja afetam também a criação aves e de suínos, segundo Carvalho. Com isso, os preços dessas proteínas vão ser reajustados, diminuindo a diferença com os da bovina.
    Os valores do mercado interno vão ser influenciados, ainda, pelos estoques atuais do varejo, adquiridos em patamar elevado.
    A oferta reduzida de animais e os preços elevados afetam as margens dos frigoríficos, que não conseguem repassar esses custos adiante. Os grandes têm o mercado externo, mas os que fazem vendas apenas internamente vão ter ainda mais dificuldades.
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    O Cepea, que acompanha diariamente o mercado de bois, registrou preço médio de R$ 299,70 para a arroba nesta quinta-feira (28). Esse valor supera em 58% o de há um ano e em 97% o de janeiro de 2019.
    Isolamento eleva consumo de suco de laranja
    O varejo dos Estados Unidos comercializou 17% mais suco de laranja no ano passado do que em 2019. Se considerado apenas período da pandemia, de março a dezembro, o crescimento médio das vendas foi de 21%.
    Conforme dados da Nielsen e da CitrusBr, a maior concentração das vendas ocorreu nos meses de março a maio, também o período do aumento das medidas de isolamento e de distanciamento social no país.
    Nestes três meses, as vendas subiram, em média, 28%, quando comparadas com as de março a maio de 2019.
    Em abril, um dos períodos críticos da pandemia, as vendas no varejo americano de suco de laranja somaram 166 milhões de litros, o maior volume mensal desde o início de 2015, segundo a Nielsen.
    Para entender melhor as mudanças de hábitos do consumidor, devido à pandemia, o FDOC (Departamento de Citros da Flórida) fez uma pesquisa e constatou que os consumidores estão buscando mais alimentos saudáveis e vão priorizar as refeições em casa.
    Afirmaram, ainda, que vão aumentar as compras online e incrementar mais a procura de informações sobre os alimentos. As pesquisas no Google com termos como “sistema imunológico”, “vitamina C”, “vitaminas para estimular imunidade” atingiram um pico em março, segundo a CitrusBR.

    Vaivém das Commodities

    Vaivém das Commodities

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

    Fonte : Folha

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