Vaivém – Argentina exporta mais carne para a China, mas potencial está no limite

Até abril, 70% das vendas foram para os chineses, mas abate de fêmeas é recorde e compromete rebanho

A Argentina tem boas chances de ganhar mercado com exportações de carne bovina para a China enquanto o Brasil estiver fora desse país asiático. Deverá ser por pouco tempo, no entanto.

O avanço argentino tem limites. De cada dez quilos de carne exportados pelos argentinos, sete já vão para os chineses.

Gado em fazenda em Sorriso – Paulo Whitaker – 26.set.2016/Reuters

De janeiro a abril, as exportações do país vizinho para a China somaram 93 mil toneladas de carne sem osso, 91% mais do que em igual 2018. As exportações totais atingiram 134 mil toneladas.

Os dados são da Ciccra (Câmara da Indústria e Comércio de Carnes), que aponta uma forte recuperação das vendas argentinas de carne bovina nos últimos anos.

A Argentina vem ganhando espaço no mercado externo devido ao aumento da demanda chinesa e a um recuo do consumo interno, que foi de 11% nos cinco primeiros meses deste ano.

A produção de carne bovina caiu 4% no período, e o consumo per capita teve baixa de 8%, para 50,5 quilos por habitante ao ano.

Um avanço maior das exportações é perigoso porque o país já está em um limite recorde de abate de fêmeas. De janeiro a maio deste ano, o abate de vacas superou em 8% o de igual período de 2018. O de bois caiu 12% no mesmo período.

O Brasil que dá Certo – Centro-Oeste

Criação de gado no Mato Grosso; desenvolvimento do agronegócio no Centro-Oeste se deu em cima do binômio soja-boi

Criação de gado no Mato Grosso; desenvolvimento do agronegócio no Centro-Oeste se deu em cima do binômio soja-boi Mauro Zafalon/Folhapress

    A eliminação de fêmeas em ritmo mais intenso, como vem ocorrendo, pode comprometer o rebanho do país nos próximos anos.

    Safra de milho melhora e Brasil poderá ter produção recorde de grãos

    A safra brasileira de grãos deverá atingir o recorde de 239 milhões de toneladas em 2018/19. Se atingido, esse volume superará o até então recorde de 238 milhões de 2016/17.

    Os dados são da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que mostra uma evolução na produção de milho e uma queda na de soja.

    As duas safras de milho —verão e inverno— deverão render 97 milhões de toneladas, 20% mais do que no período anterior.

    Já a produção de soja, após ter atingido 119,3 milhões de toneladas em 2017/18, cai para 114,8 milhões neste ano.

    Milho e soja somam 212 milhões de toneladas, 89% de toda a produção de grãos do país, conforme a relação de produtos acompanhados pela Conab.

    Arroz e feijão seguem caminho inverso ao do milho. O primeiro tem redução da produção para 10,5 milhões de toneladas, 13% menos, enquanto o feijão cai 2%, para 3,1 milhões de toneladas.

    Solúvel As exportações de café solúvel somaram o correspondente a 1,5 milhão de sacas nos cinco primeiros meses deste ano, uma evolução de 8,4% em relação a igual período do ano passado, segundo dados da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel).

    Citricultura A safra de laranjas da Flórida recuou para 71,4 milhões de caixas, conforme estimativas desta terça-feira (11) do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O volume é 1 milhão de caixas inferior ao estimado em maio.

    Etanol As usinas de cana da região centro-sul comercializaram? 2,85 bilhões de litros de álcool em maio, um volume 51% maior do que o de igual mês de 2018. Dessas vendas, 2,1 bilhões foram de etanol hidratado, novo recorde para os meses de maio.

    Valor agregado O país tem uma capacidade ociosa de esmagamento de 20 milhões de toneladas de soja atualmente, segundo estimativas da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

    Renda Se aproveitasse esse parque industrial ocioso, o país geraria empregos e renda ao transformar o grão em farelo e proteína animal para exportação. Na avaliação da entidade, o Brasil conseguiria triplicar a receita que hoje tem com o grão.

    Vaivém das Commodities

    Vaivém das Commodities

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

    Fonte : Folha