Vaivém: Apesar da boa safra, preços se mantêm aquecidos no campo e pesam na inflação

Valores de negociações de arroz, soja, açúcar, milho e carnes não cedem, mesmo com boa parte da colheita já nos armazéns

O ano avança, e os preços dos produtos agrícolas mantém uma pressão interna que já dura pelo menos 12 meses. Mesmo com a colheita de alguns itens já terminada, e com volumes recordes, os valores de negociação se mantêm em patamares recordes.

A alta desses produtos dentro da porteira, que se esperava tivessem uma retração após a safra, continua e respinga sobre a inflação de alimentos.

Um dos exemplo é a soja, que é negociada com valores 74% acima dos de há um ano, apesar de o país estar colhendo 137 milhões de toneladas, um volume não imaginado no início do plantio.

Segundo o Ibre, o preço das matérias-primas brutas, como soja, milho, carnes e minério de ferro, acumula alta de 68% nos 12 meses encerrados em outubro

Segundo o Ibre, o preço das matérias-primas brutas, como soja, milho, carnes e minério de ferro, acumula alta de 68% nos 12 meses encerrados em outubro Mauro Zafalon/Folhapress

A oferta é maior, mas os preços não recuam, o que fez o governo intervir até na produção de biodiesel, reduzindo o percentual de mistura desse combustível ao diesel para 10% na semana passada.

O farelo também sobe e embala os custos da produção de proteínas, pressão que virá para os consumidores. Estes, além do aumento das carnes, pagam mais também pelo óleo de cozinha.

O arroz, cuja safra atingiu 11,1 milhões de toneladas, acima do previsto, está com os maiores preços para um período pós-safra. A saca, negociada a R$ 87, tem um aumento de 58% em 12 meses.

As carnes, impulsionadas pela demanda externa e por aumento de custos internos de produção, mantêm preços recordes. A arroba de boi está 61% acima do valor de há um ano; a de suíno, 74%.

Açúcar e etanol, cuja safra de cana-de-açúcar começou oficialmente neste início de mês, apresentam reajustes de 36% e de 76%, respectivamente, em relação ao mesmo período de abril de 2020.

O milho, um produto que merece mais atenção, devido ao plantio fora do período ideal, está sendo negociado a R$ 97 por saca na região de Campinas (SP), segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Em alguns estados, como no líder Mato Grosso, as estimativas de produção já começam a ser reajustadas para baixo. Os preços, que superam em 86% os de abril de 2020, apresentam um cenário de volatilidade.

O país deverá obter mais um ano recorde de divisas com as exportações, mas também terá de conviver com custo elevado da alimentação.

Lambe-lambe da campanha 'Bolsocaro' na Avenida Paulista

Lambe-lambe da campanha ‘Bolsocaro’ na Avenida Paulista Marlene Bergamo/Folhapress

Dentro da porteira Com esses preços tão altos e produção elevada, os produtores agropecuários deverão obter receitas de R$ 1,2 trilhão neste ano. O destaque positivo é a soja, que deverá render R$ 390 bilhões. O negativo é o café arábica, cujas receitas caem para R$ 23 bilhões, 29% menos no ano, segundo a CNA.

Vendas Os produtores já comercializaram 90% dos 69,5 milhões de sacas de café colhidas na safra 2020/21 (de julho a junho), segundo estimativas da Safras & Mercado.

Recorde Apesar da safra elevada, os preços continuam recorde, devido a dúvidas sobre a oferta mundial de café neste ano. Segundo o Rabobank, a saca teve valor médio de R$ 732 no mês passado. As exportações já somam 11 milhões de sacas no ano, 10% mais do que em 2020, segundo os analistas do banco.

Delícias do inverno A Emater/RS estima que a produção de pinhão, tradicionalmente na casa das 900 mil toneladas no Rio Grande do Sul, terá um grande salto. Em algumas regiões, poderá dobrar neste ano.

Fonte: Folha

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