Vaivém – Aos 48 anos, Embrapa promete elevar produtividade do milho

Empresa disponibiliza bioinsumo que aumenta a capacidade de adaptação do milho ao estresse hídrico

Ao completar 48 anos, a Embrapa coloca à disposição do produtor brasileiro um bioinsumo que aumentará a resiliência e a capacidade de adaptação do milho ao estresse hídrico.

O novo produto, denominado Auras, é capaz de promover o crescimento da cultura, mesmo em condições de seca. Esse bioinsumo permite a convivência de plantas com estresse hídrico, afirma o presidente da Embrapa, Celso Moretti.

O bioinsumo tem como base uma bactéria encontrada na rizosfera do mandacaru, um cacto da região da caatinga. Ele vai incrementar as lavouras de milho nessa região, que compreende 1.300 municípios, em uma extensão de 100 milhões de hectares.

0Sítio experimental da Embrapa em Jaguariúna (SP) – Marlene Bergamo – 28.set.19/Folhapress

A caatinga, devido ao estresse hídrico, tem uma produtividade do cereal bem inferior à obtida em outras regiões do país. Neste ano, a produtividade do milho no Nordeste deverá ser de apenas 3.120 quilos por hectare, conforme estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Na região centro-sul, o volume será de 6.020 quilos.

A nova tecnologia poderá equilibrar mais esse balanço entre as regiões e dar novo impulso à produção do cereal no país.

Mas Moretti afirma que o bioinsumo favorecerá todas as regiões com baixa disponibilidade de água, inclusive o Centro-Oeste no período da safrinha. Este é o primeiro produto comercial destinado a mitigar os efeitos causados pelo estresse hídrico nas plantas.

A nova tecnologia, que foi desenvolvida pela Embrapa, será produzida e distribuída pela NOOA Ciência e Tecnologia Agrícola, de Minas Gerais.

Cálculos da empresa produtora do bioinsumo indicam que o produto poderá evitar perdas de seis a oito sacas de milho por hectare em períodos de estresse hídrico.

O bioproduto vai ajudar muito o produtor, segundo Moretti, devido à relação do mandacaru com a bactéria encontrada no solo. Os microrganismos são capazes de hidratar as raízes e atuam na fisiologia dos vegetais, fazendo com que respondam melhor à escassez de água, segundo os pesquisadores da Embrapa.

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Soja A Embrapa coloca à disposição dos produtores a primeira cultivar de soja do país com resistência à ferrugem asiática e com tolerância ao percevejo. A ferrugem é a principal doença da oleaginosa, enquanto o percevejo é uma das principais pragas do setor.

Soja 2 Para a Embrapa, a precocidade da cultivar viabiliza o plantio do milho safrinha ou outras culturas de inverno. A empresa destaca, ainda, a necessidade menor do uso de químicos, diminuindo custos e impactos ambientais. Por não ser uma variedade transgênica, deve atrair produtores de soja orgânica.

Algodão A Embrapa desenvolveu também uma nova cultivar de algodão transgênico, resistente às principais doenças da atividade, como a mancha de ramulária e o nematoide-das-galhas.

Algodão 2 A nova cultivar tem produtividade média de 5,7 toneladas de algodão em caroço por hectare, acima da média brasileira no cerrado, que é de 4,3 toneladas, afirma a Embrapa.

Camarão A empresa lança, ainda, uma ferramenta que aponta reprodutores mais adequados para evitar cruzamentos de animais aparentados, sujeitos a problemas genéticos. A tecnologia auxilia e acelera o melhoramento genético da espécie, segundo os pesquisadores.

Baixo carbono Seguindo exigências mundiais, a Embrapa, após lançar a carne de baixo carbono, coloca no mercado programas de redução de emissões para leite, soja, algodão e café.

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Vaivém das Commodities

Fonte : Folha

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