Vaivém – Ano começa com recordes em exportação no agronegócio

Plantação de algodão no oeste da BA; com produção e estoque maiores, preços podem cair

Plantação de algodão no oeste da BA

 

As exportações começam aquecidas neste início de ano. As vendas externas de soja, o carro-chefe da balança comercial, já atingem o recorde de 1,04 milhão de toneladas nos 14 primeiros dias úteis do mês. No ritmo atual, devem somar 1,64 milhão de toneladas no período.

Essas exportações ainda refletem o recorde de produção de 2017. Tradicionalmente são os Estados Unidos que fornecem soja para o mercado externo nesse período de janeiro, devido à entressafra brasileira.

É provável, portanto, que as exportações brasileiras se mantenham contínuas neste ano, uma vez que, em fevereiro, começa a ser exportada a soja já colhida em 2018. Durante 2017, as exportações de soja somaram 68 milhões de toneladas, um volume que deverá ser repetido neste.

As estimativas de safra para este ano ainda são divergentes. Algumas consultorias preveem redução, enquanto outras estimam safra semelhante ao recorde de 114 milhões de toneladas de 2017.

Os portos estão movimentados não só pela soja mas também pelo milho. As exportações do cereal deste mês já somam 2,13 milhões de toneladas e devem terminar o período em 3,4 milhões. Se confirmado, esse volume será o segundo maior para os meses de janeiro, inferior apenas aos 4,4 milhões de toneladas de 2016.

A saída de açúcar pelos portos brasileiros deste mês mantém o patamar de dezembro e deve atingir 1,8 milhão de toneladas, mas fica abaixo dos 2,2 milhões de janeiro de 2017.

O embarque de carnes perdeu ritmo no mês, em relação a janeiro do ano passado. A principal queda ocorre com a carne suína, cujo recuo foi de 23% no período.

A Rússia, principal importadora de carne suína do Brasil, impôs restrições ao produto brasileiro no final do ano passado.

O setor de frango também inicia o ano com queda nas vendas externas. As exportações de carne "in natura" deverão atingir 290 mil toneladas, 12% inferiores às de janeiro de 2017.

As exportações de algodão também são uma boa surpresa na balança comercial brasileira deste ano. A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) registra alta de 156% nas vendas deste mês, em relação às de janeiro de 2017.

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Exportação de etanol cresce 50% em janeiro

Os embarques de etanol devem somar pelo menos 150 milhões de litros neste mês, 50% mais do que em igual período do ano passado.

O aumento de volume embarcado não deve alterar as estimativas de equilíbrio entre exportações e importações em 1,5 bilhão de litros de abril de 2017 a março de 2018.

Parte desse produto que está sendo escoado vem dos 84 milhões de litros que saíram das usinas no mês passado.

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Arco Norte – Pelo menos 43% das exportações de grãos feitas pelos mato-grossenses em 2017 saíram pelo chamado Arco Norte. O porto de Barcarena (PA) foi o destaque, com acréscimo de 92,6%.

Ainda Santos – A maior parte da soja exportada pelos mato-grossenses, contudo, ainda sai pelo porto de Santos (SP), segundo dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

Devolução – A JBS vai restituir 0,8 ponto percentual da taxa de 2,3% descontada do Funrural dos pecuaristas que tiveram animais abatidos na empresa do início do ano ao dia dia 9 deste mês.

Nova lei – A lei 13.606, de 2018, publicada no "Diário Oficial da União" de 10 de janeiro, fixou em 1,5% a alíquota (1,2% de Funrural, 0,1% de seguro e 0,2% de Senar).

Envelhecimento – Apenas 5,6% das fazendas europeias são geridas por jovens com menos de 35 anos. Isso preocupa o setor, que vê queda de competitividade e de garantia de produção no futuro.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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