Vaivém – Agropecuária vai passar por onda de rejuvenescimento, diz ex-ministro

SAO PAULO 18.09.2014 - O Jornalista Fernando Rorigues entrevista no estudio UOL Roberto Rodrigues coordenador do centro de agronegocios da FGV e ex Ministro da Agricultura do governo Lula. Foto Reinaldo Canato/UOL

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura

A agropecuária brasileira evoluiu muito nos últimos anos. Produziu mais, abasteceu o mercado interno de alimentos e ganhou amplo espaço no exterior.

Está chegando, no entanto, a hora de os mentores dessa agropecuária saírem de campo e deixarem espaço para os sucessores.

E esse será um dos principais desafios do setor a partir de agora, segundo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e presidente do Lide Agronegócio.

Rodrigues, que coordena seminário sobre o assunto no próximo sábado (30) em Campinas (SP), diz que a sucessão, apesar de eventuais dificuldades, poderá dar novo ânimo ao setor.

A nova agricultura é dependente de tecnologia, e a liderança agrícola que está por vir está mais ligada à essa nova tendência do que os que saem de comando.

Essa sucessão deve ocorrer em todos os segmentos do agronegócio, segundo ele.

Começa dentro da porteira, na sucessão de comando das fazendas. Passa pelas empresas do agronegócio e deve atingir também as instituições e as associações representantes de classes do setor.

A sucessão deve abrir novos campos para o uso de tecnologia, tanto no controle interno das propriedades como na gestão financeira e na gestão ambiental.

Não há um modelo único de gestão no país, devido às distâncias e diversidades regionais. Uma gestão com base na tecnologia deverá estar presente em todas essas regiões.

"Vem vindo uma onda que vai determinar um rejuvenescimento da agropecuária brasileira", diz Rodrigues.

”As novas lideranças já nasceram dentro da tecnologia, e esta vai permitir gestões financeiras, de recursos e ambiental rejuvenescidas."

O ex-ministro destaca ainda a necessidade de uma boa sucessão empresarial para que haja uma continuidade saudável das atividades das empresas. Ele cita exemplos que já se concretizaram como os da Jacto, empresa de São Paulo do segmento de máquinas, e da cooperativa Cocamar, de Maringá (PR).

A sucessão tem de passar também pelas instituições ligadas ao agronegócio. Rodrigues destaca que algumas das modernas associações já exigem a troca constante de lideranças para que haja uma renovação de ideias.

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Competitivo? – A produção de grãos do Brasil aumenta ano a ano. Ganha de muitos, mas nem de todos. Mauro Osaki, pesquisador do Cepea, compara o comportamento de Brasil e Ucrânia.

Grande salto – No triênio 2000 a 2002, a Ucrânia exportou 520 mil toneladas de milho e 6.700 de soja, em média anual. De 2014 a 2016, as vendas externas médias de milho subiram para 18,4 milhões de toneladas, e as de soja, para 2,5 milhões de toneladas.

Impulso – A entrada de estrangeiros, que trouxeram tecnologia, novas máquinas e novas técnicas de cultivo, impulsionou a produção. Solo fértil, baixo custo de produção, disponibilidade de mão de obra e baixo custo da terra incentivaram o capital estrangeiro no país.

Rentabilidade – A rentabilidade média de três safras (2012/13 a 2015/16) sobre o custo total de produção ficou em 17% para soja e em 18% para o milho na Ucrânia. No Brasil, foram de 18% e menos 27%, respectivamente, aponta o pesquisador.

Greve – Possibilidades de o serviço de defesa agropecuária federal ser terceirizado agitaram os ânimos dos fiscais federais, que discutem, nesta quarta-feira (27), a possibilidade de entrarem em greve, segundo o Anffa (sindicato do setor).

Melhorar – Fonte do setor diz que há discussões sobre as mudanças, mas que são para modernizar e melhorar o sistema de fiscalização do país, dando inclusive maior visibilidade do sistema para os importadores.

Complicou – O problema é que o pedido de verticalização foi repassado de uma secretaria de governo para outra sem uma consulta aos fiscais. A relação entre as secretarias se complicou. Pior ainda ficou o relacionamento com os fiscais.

Reinaldo Canato

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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