Vaivém – Agropecuária reduz concentração no país

Segundo o IBGE, é o setor menos concentrado, e 564 municípios são responsáveis por 50% dessa atividade

O agronegócio está espalhado por todo o país, mas nenhuma cidade do setor se destaca entre as dez maiores, quando se refere a PIB per capita.
Petróleo, mineração, indústria petroquímica e geração de energia colocam as principais cidades nesta lista.
Estas são produções concentradas, ao contrário da agropecuária, atividade presente em praticamente todos os municípios do país.

Os dados do PIB dos municípios, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (16), apontam um avanço da descentralização da economia dos grandes centros.
Parte se deve à agropecuária, que leva evolução para o interior. Em 2002, as capitais representavam 36,1% do PIB. Em 2018, a participação delas recuou para 31,8%.

Colheita de milho na zona rural de Planaltina, região administrativa do DF

Colheita de milho na zona rural de Planaltina, região administrativa do DF Pedro Ladeira/Folhapress

A lista das cidades que mais agregaram valor ao PIB da agropecuária em 2018 tem a liderança de São Desidério, no oeste da Bahia.

O município, produtor de grãos e de fibras, principalmente soja, milho e algodão, adicionou R$ 2,5 bilhões ao PIB em 2018, uma taxa de 0,8% do total do setor. A participação acumulada das dez primeiras cidades somou 4,61%.

A agropecuária foi bem de 2015 a 2018, com evolução de 13,2% no PIB do setor. A agricultura teve crescimento de 17,4%, e a pecuária, de 1,4%. Esta última acelerou a sua participação no PIB em 2019, devido à forte demanda por proteínas pela China.

Os setores florestal, de aquicultura e de pesca tiveram aumentos médios de 13% no período.
O índice Gini do PIB da agropecuária mostra que o setor trouxe uma melhora, ainda que não a ideal, na renda em diversas regiões agrícolas.
Foi o que ocorreu no Centro-Oeste e em parte do Sudeste e do Sul, quando comparados os dados de 2002 com os de 2018.
A agropecuária foi a atividade de menor concentração, segundo o IBGE. Nas contas do instituto, 141 municípios representaram 25% da agropecuária nacional. Quando considerados 564, a representatividade é de 50% do setor.
As maiores concentrações estão no Piauí, na Bahia e no Rio Grande do Sul. No Piauí, devido ao avanço da cultura da soja no estado, 60% do valor adicionado ao PIB em 2018 foram provenientes de apenas dez municípios.
Campos de Júlio, no oeste de Mato Grosso, é a primeira cidade da lista das com os maiores PIB per capita. A cidade aparece na 12ª posição. Os números são impressionantes: cada cidadão receberia, em média, R$ 207 mil por ano.
A realidade, porém, é outra. O agronegócio é movimentado por soja, milho e algodão. É importante também a produção de etanol de cana e de milho no município.
A renda real dos 6.700 habitantes do município, porém, fica distante dos R$ 207 mil. O município é pequeno, tem uma boa área de cultivo, mas boa parte da produção está concentrada nas mãos de grandes grupos, com sede fora da cidade.
Municípios mais bem estruturados do que Campos de Júlio, mas com população maior, têm um PIB per capita bem menor. Como Sapezal, que com 27 mil habitantes, tem um PIB per capita de R$ 117 mil.

Conectividade avança no campo
A Claro espera levar a conectividade digital para 100 milhões de hectares agrícolas até o próximo ano. Em 2021, se houver demanda, a empresa deverá acrescentar 15 milhões aos 85 milhões de hectares já conectados.
O salto de 2021 está previsto devido a um programa denominado “Campo Conectado”, que a empresa fará junto com a John Deere, do setor de máquinas agrícolas e de construção.
A Claro entra com os investimentos, inclusive com a construção das torres de retransmissão, e cobrará R$ 20 por ano por hectare do agricultor que se associar ao programa.
A John Deere, via suas concessionárias, ajuda a verificar as regiões com maior demanda e que apresentem viabilidade econômica. Uma torre cobre de 50 mil a 60 mil hectares, dependendo da topografia do terreno.
A assinatura do produtor com a Claro permite a ele a utilização de celular e outros parelhos de comunicação. As máquinas que vão ao campo, no entanto, têm de ter um moldem para a conexão.
Todas as máquinas que foram produzidas após 2015 pela Jonh Deere têm esse equipamento. Segundo a empresa, pelo menos 20 mil delas estão aptas a esta conectividade. As de datas anteriores terão de fazer uma adaptação.
O programa da Claro não está aberto apenas às máquinas da John Deere, mas a todas as outras, dede que tenham um sistema de conectividade.
A viabilidade da conexão será possível porque a empresa manterá um centro de gestão da rede em tempo integral para uso exclusivo dos produtores.
Já o trânsito de dados a serem analisados vai depender do volume de cada propriedade e terá um acerto em um pacote à parte.
?
Uma empresa, denominada Sol, e que não tem capital da Claro e da John Deere, vai cuidar das operações entre produtores e as demais empresas.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *