Vaivém: Agricultura, Bolsonaro e Cúpula do Clima

País entregou pouco na reunião, e, se não levar a sério a redução de carbono, sofrerá consequências

O governo promete também o fim do desmatamento ilegal até 2030 e dobrar os recursos destinados à ação de fiscalização. O problema é a condicionante: a ajuda externa.

Esta, no entanto, só virá com ações concretas e, neste quesito, o passado condena esse governo, que desmontou o sistema de controle ambiental e faz vista grossa para os desvios.

É bom que o Brasil leve a sério o engajamento do país nessa luta pela redução dos gases poluentes. Estados Unidos, principal concorrente do Brasil na agropecuária, e China, maior importador mundial de produtos agrícolas, estão se unindo nessa luta.

Qualquer desvio do Brasil, poderá ser um bom motivo para barreiras comerciais. E o Brasil depende muito da China e da União Europeia.

O governo atual não só fragilizou os controles de fiscalização, como fechou as portas ao dinheiro do exterior, quando viu que teria de dar satisfação do uso do capital.

O país poderia estar em outro patamar de compreensão internacional se tivesse realmente combatido os burladores da lei, que são uma minoria.

O cumprimento das metas propostas pelo governo será um grande desafio, principalmente para o agronegócio. A agricultura movimenta acima de 1 bilhão de toneladas de produtos por ano, com predominância do transporte rodoviário.

Além disso, uma outra maneira de redução das emissões é a preservação das florestas, um ponto que o governo não tem levado muito a sério atualmente.

Incêndios 'sem controle' ameaçam comunidades indígenas, como a aldeia Khinkatxi, no território Wawi, no Mato Grosso

Sem apoio do poder público nem estrutura suficiente, indígenas seguem combatendo o fogo em seus territórios, só com "a cara e a coragem" Incêndios ‘sem controle’ ameaçam comunidades indígenas, como a aldeia Khinkatxi, no território Wawi, no Mato Grosso Kamikia Kisedje/Repórter Brasil

O presidente destacou a importância do país na utilização de energias renováveis, mas não há garantias das regras. O governo, pressionado por caminhoneiros, acaba de reduzir a mistura de 13% de biodiesel no diesel para 10%, aumentando a emissão de poluentes.

Vários líderes mundiais destacaram que proteção ambiental é sinal de desenvolvimento e de geração de empregos. Para Xi Jinping, da China, proteção ao meio ambiente significa maior produtividade. Mas, para Justin Trudeau, do Canadá, só as políticas sérias geram resultados.

Para Emmanuel Macron, da França, o plano de ação deve ser claro e mensurável, enquanto Angela Merkel, da Alemanha, diz que ele deve atingir todas as áreas, inclusive a do transporte.

A maioria dos líderes de nações desenvolvidas tem entendimento de que os mais ricos devem auxiliar os países em desenvolvimento nesse processo. Mario Draghi, da Itália, diz que “devemos ajudar os países mais vulneráveis agora para não nos arrependermos depois”.

Cyril Ramaphosa, da África do Sul, afirma que, historicamente, os ricos são os maiores poluidores, portanto devem garantir apoio financeiro aos menos desenvolvidos.

Para Alberto Fernández, da Argentina, o caminho que o mundo está trilhando é suicida, mas alertou que deverá haver uma troca de dívida por ações ambientais de preservação.

A redução do aquecimento global não poderá ser de países isolados, mas uma ação conjunta de todos como se fossem um só, segundo Yoshihide Suga, do Japão.

Lutar por uma recuperação ambiental é melhorar a recuperação econômica, segundo Ursula von der Leyen, da União Europeia.

Fonte: Folha

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