Vaivém – Agrícolas sobem, mas não recuperam perdas da segunda-feira

Conab estima safra brasileira em 152 milhões de toneladas, 10 milhões mais do que a anterior

    Os produtos agrícolas voltaram a operar no azul nesta terça-feira (10), após a histeria do dia anterior. Mesmo assim, a recuperação foi tímida e os preços estão distantes dos de há uma semana para a maioria deles.

Alguns, como foi o caso do açúcar, mantiveram tendência de queda. Outros, como algodão e soja, subiram, mas praticamente mantiveram os preços da segunda-feira.

O destaque em Nova York foi o café, que teve recuperação de 4,72%, fechando a US$ 1,14 por libra-peso no contrato de maio.

Nesta terça, foi dia de novas estimativas de produção de grãos pelo mundo. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) pouco mexeu nos números de área e de produção da safra 2019/20.

O ponto que chamou mais atenção no relatório foi a revisão para cima dos estoques mundiais de soja no final da safra 2019/20, o que pode ser interpretado como um tom ligeiramente baixista, segundo Guilherme Bellotti, gerente de consultoria de agronegócio do Itaú BBA.

O mercado agora aguarda a estimativa de área que será divulgada no final do mês. A primeira prévia, feita em  fevereiro, mostrou interesse maior do produtor americano pelo milho.

A área de soja deverá ficar próxima de 34,4 milhões de hectares, com aumento de 12%. Esse avanço, porém, é uma recuperação das perdas de 2019/20.

Diante desse número de área, a produção de 2020/21 seria de 114 milhões de toneladas, acima dos 97 milhões do ano passado, mas se distanciando da brasileira.

Soja no Brasil

Funcionário trabalha em silo da fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP

Funcionário trabalha em silo da fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP Ricardo Benichio/Folhapress

O Brasil, conforme números do próprio Usda, poderá atingir 126 milhões de toneladas na safra que está colhendo.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que também divulgou dados nesta terça, prevê uma safra de soja de 124,2 milhões para o Brasil em 2019/20.

Ambos os países, porém, vão ter uma safra bem elevada de milho. Os americanos, conforme os dados de área estimados em fevereiro (38 milhões de hectares), poderão atingir o recorde de 393 milhões de toneladas em 2020/21.

Os brasileiros, segundo a Conab, produzirão acima de 100 milhões de toneladas neste ano, devido ao bom desempenho da safrinha.

A safra total brasileira de grãos de 2019/20 poderá atingir 252 milhões de toneladas, 10 milhões a mais do que no período anterior. Soja, milho e arroz somam 93% dessa produção nacional.

Etanol de milho  A produção brasileira sobe para 2,4 bilhões de litros na safra 2020/21, 47% mais do que na anterior, segundo estimativas da Agroconsult.

Café especial  No primeiro bimestre, 18,4% do café exportado pelo Brasil foi de qualidade superior ou de produto com algum tipo de certificação de prática sustentável, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Efeito petróleo O etanol hidratado recuou para R$ 2,13 por litro nesta terça-feira nas usinas paulistas, segundo o Cepea. A queda acumulada na semana é de 4,1%, conforme o indicador Esalq/BM&FBovespa.

Volta a subir  Já o boi gordo, após o recuo de 1,9% na segunda-feira, dia do abalo das commodities, subiu 1,7% na terça-feira. A arroba foi a R$ 202,70, aponta o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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