Vaivém – A dança dos números do café

Estimativas de produção apontam de 49,3 milhões a 58 milhões de sacas na safra 2019/20

    A produção brasileira de café foi de 49,3 milhões de sacas na safra 2019/20, informou nesta terça-feira (17) a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já a consultoria Safras & Mercado, o Rabobank e o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estimam uma safra entre 57 milhões e 58 milhões de sacas para o período.

    É uma diferença muito grande entre os números. Quem está mais perto da realidade?

    Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), diz que o volume real poderá não estar em nenhum dos números, mas o mercado indica que produção e consumo estão bastante ajustados.

    Brasil aumenta produção de café

    Estação de monitoramento do clima em plantação de café em São João da Boa Vista (SP)

    Estação de monitoramento do clima em plantação de café em São João da Boa Vista (SP) AMANDA PEROBELLI/REUTERS

    O Brasil deverá exportar 40 milhões de sacas neste ano e consumir 21 milhões. Isso aponta para uma demanda de pelo menos 61 milhões de sacas, e mostra que o país está com estoques baixos, segundo ele.

    Um exemplo da percepção do mercado desse cenário é a elevação dos preços do café no mercado internacional. Após atingir o menor patamar em uma década no primeiro semestre, os preços reagiram em Nova York e, de meados de outubro até agora, o contrato de março subiu 42%.

    O produtor está feliz com os preços atuais, segundo Carvalhaes, mas são poucos os que estão aproveitando esses patamares. Os pequenos e médios, por pressão de custos, já comercializaram a safra a valores bem menores.

    A safra deste ano, além de ser considerada de ciclo baixo –quando a produtividade da planta é reduzida­–, teve perda de qualidade devido à floração irregular, incidência de chuva na hora da colheita e diminuição da área de produção.

    Na avaliação do Usda, conforme dados divulgados na sexta-feira (13), a produção mundial de café será de 169,3 milhões de sacas nesta safra e o consumo, de 166,4 milhões. Os estoques finais no Brasil recuam para 1,38 milhão de sacas.

    A queda de produção brasileira registrada neste ano pela Conab ocorreu no café arábica. Foram 34,3 milhões de sacas, com queda de 8,3 milhões em relação a 2018.

    A produção de conilon continua se recuperando e atingiu 15 milhões de sacas, 830 mil a mais do que em 2018.

    A próxima safra, a que será colhida em 2020, deverá atingir o recorde de 66,7 milhões de sacas, segundo o Rabobank, um banco especializado em agronegócio. A chamada bienalidade positiva e a maior área de cafezais em condições produtivas deverão permitir ao setor atingir esse recorde.

    Carvalhaes acredita que a próxima safra será boa, mas deverá ficar próxima da de 2018, quando somou 62 milhões de sacas.

    Na avaliação dos analistas do Rabobank, devido ao déficit mundial de 3,2 milhões de sacas neste ano, os preços do café vão continuar subindo, atingido até US$ 1,22 por libra-peso no próximo ano.

    SAFRA DE CANA

    As usinas do centro-sul deverão moer 590 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta safra, 3% mais do que na anterior. A maior parte desta cana (66%), como se previa, irá para a produção de etanol.

    ETANOL

    Para a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a produção do combustível deverá atingir o volume recorde de 33,1 bilhões de litros, 7,1% mais do que na safra anterior. Deste volume, 23,4 bilhões serão de etanol hidratado.

    MILHO

    A produção de etanol de milho sobe para 1,5 bilhão de litros, 90% acima do que foi produzido no período anterior.

    VENDAS

    A comercialização do biocombustível no mercado doméstico chegará ao patamar de 33,5 bilhões de litros, sendo 23,2 bilhões do tipo hidratado.

    AÇÚCAR

    Com a opção das usinas pelo etanol, a produção de açúcar se manterá em 27 milhões de toneladas, 0,7% mais do que em 2018/19.

    Vaivém das Commodities

    Vaivém das Commodities

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

    Fonte : Folha

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