Vaivém – A carne é forte

 

Apesar da queda do preço das proteínas, grupo J&F encosta na Petrobras no ranking dos maiores exportadores e pode disputar 1º posto com a Vale

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O inferno astral da Petrobras continua. A companhia, uma das maiores do mundo há até poucos anos, fechou o mês de dezembro em quarto lugar na lista dos maiores exportações do país, ao perder posições para Embraer e J&F.

Ligado ao setor de carnes e, em menor escala, à celulose, o J&F encerrou o ranking total de 2015 em terceiro lugar, considerando no cálculo todas as suas empresas, ao exportar o correspondente a US$ 7 bilhões, 82% dos US$ 8,5 bilhões vendidos ao exterior pela Petrobras, a segunda colocada do ano. Em 2014, essa relação era de 60%.

Se o petróleo se mantiver próximo dos US$ 30, em média, neste ano, o grupo poderá ultrapassar a Petrobras mesmo se não houver grandes avanços nos preços da carne no mercado externo.

O J&F, aliás, poderá até disputar a liderança com a Vale, se o minério também mantiverem a trajetória de queda.

O ano passado foi pouco favorável tanto para a J&F como para a Petrobras. Além de sofrer as consequências da Operação Lava Jato, a petroleira foi vítima da forte queda do petróleo.

O valor médio do Brent foi de US$ 54 por barril. Nesta sexta (15), o produto caiu abaixo de US$ 30.

Já o grupo J&F sentiu a desaceleração dos preços das carnes, mas em ritmo bem menor do que o do petróleo.

A celulose, braço do grupo J&F via Eldorado Brasil, não registrou queda externa de preços e manteve essas receitas estáveis. A J&F detém, ainda, a Alpargatas, que exportou US$ 108 milhões.

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que aponta que, isoladamente, a Bunge Alimentos foi a terceira maior exportadora do país, com receitas de US$ 5,1 bilhões. Vale e Petrobras lideram a lista.

O grupo J&F tem como líder nas exportações a JBS, que colocou o correspondente a US$ 3,9 bilhões no mercado externo em 2015.

Seara e JBS Aves somam outros US$ 2,2 bilhões. A empresa tem, ainda, outras empresas, como a Vigor, mas com receitas menores.

Já à Petrobras somam-se os US$ 655 milhões da Petrobras Distribuidora.

Os gastos com importação da Petrobras caíram 51% em relação a 2014. Mesmo assim, a empresa registrou deficit de US$ 10,2 bilhões.

AGRONEGÓCIO

As empresas exportadoras do agronegócio sentiram a queda generalizada dos preços das commodities.

As dez principais do setor de grãos, mesmo com elevação do volume exportado, obtiveram US$ 24,2 bilhões em receita externa, 6% menos do que em 2014.

Bunge, Cargill, ADM, Dreyfus e Amaggi encabeçaram a lista das principais exportadoras nesse setor.

Nas carnes, as receitas das dez principais empresas recuaram para US$ 11,4 bilhões, queda de 17%.

A queda se deve a uma desvalorização das cotações externas das proteínas. JBS e BRF estiveram na ponta da lista dessas exportadoras.

CELULOSE

As empresas do setor de celulose e de papel estiveram na contramão das demais e obtiveram aumento de receitas no ano passado.

A demanda externa crescente, principalmente da China, permitiu um aumento de volume exportado e das receitas. As dez principais empresas entre as listadas pela Secex indicaram receitas de US$ 6,7 bilhões no ano passado, 4% mais do que em 2014. A Fibria Celulose lidera, com US$ 1,5 bilhão.

O Ministério do Desenvolvimento listou uma relação das 250 maiores exportadoras do país. Elas somaram US$ 146 bilhões, com liderança da Vale, cujas receitas atingiram US$ 11,3 bilhões, 45% menos do que em 2014.

Entre os destaques das empresas do agronegócio em 2015 estão a Nidera, a 6ª na relação das exportações de grãos. As receitas do ano passado somaram 1,64 bilhão.

Outro destaque é a posição da BTG Pactual Commodities, que exportou o correspondente a US$ 1,16 bilhão, 132% mais do que em 2014.

A empresa, que teve participação de 0,22% na balança comercial do país em 2014, atingiu 0,61% em 2015.

Fonte : Folha

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