Vaivém: Efeito do coronavírus chega ao campo e derruba preços

Soja e ovo estão entre as exceções; esses produtos têm forte aumento nas últimas semanas de pandemia

O efeito do coronavírus chegou ao campo, derrubando os preços dos alimentos. A exceção fica para produtos que tiveram intensa procura no início da quarentena, como arroz e feijão.

Com temor de uma eventual falta de produto, e para reduzir as saídas de casa, os consumidores fizeram estoques domésticos, limpando as prateleiras das lojas de varejo.

As próximas semanas vão indicar o comportamento da demanda e dos preços desses itens básicos.

Quilo de frango congelado teve redução de 12% no atacado de São Paulo – Joel Silva – 14.jun.18/Folhapress

Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicam que poucos produtos tiveram alta de preços. Além do arroz, que ficou 8% mais caro desde o início de março até esta quarta-feira (8), café e laranja subiram no campo.

A laranja, fonte de vitamina C, sobe devido à procura maior da bebida pelos consumidores. A alta foide 7% desde o início de março.

Já o café vem registrando elevação de preços há várias semanas. O Brasil, principal exportador mundial, está colocando menos produto no mercado mundial nesta safra. A alta no período é de 10%.

O Cepea registra queda em todas as carnes. O quilo de frango congelado teve redução de 12% no atacado de São Paulo, enquanto a arroba de suíno caiu 17% no estado.

O boi também está em queda, mas em ritmo menor. A arroba recuou para R$ 202 nesta semana, abaixo dos R$ 204 do início de março.

As exportações de carnes continuam em patamares superiores aos do ano passado, mas abaixo dos volumes médios diários dos dois primeiros meses do ano.

Além disso, a indústria se prepara para semanas difíceis, devido à desaceleração interna da economia, o que traz desemprego e renda menor à população.

Na contramão das carnes, o ovo mantém forte aceleração. Nas últimas cinco semanas, acumula alta de 18%. Mais acessível à população de menor renda, o ovo já está com a produção no limite, em relação à demanda.

No setor sucroenergético, a tendência é de queda. A saca de açúcar teve redução de 2% no período, mas o etanol hidratado ficou 32% mais barato nas usinas.

Essa forte queda se deve ao fim de entressafra e início da nova safra. Isso ocorre em um momento de queda do preço do petróleo e de menor consumo de combustível, devido à paralisação da economia.

Um dos setores mais prejudicados é o de hortifrútis, o que afeta muito os pequenos produtores. Escolas, restaurantes e lanchonetes fechados reduziram a demanda por verduras, derrubando os preços. A caixa de alface americana caiu 36%.

Bem mesmo está o pessoal da soja. A demanda externa continua firme. Apesar da travessura do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a China vai continuar comprando muito.

No período de 29 de março a 4 deste mês, as exportações da oleaginosa somaram 3,2 milhões de toneladas, segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais).

Os preços atingiram R$ 101 por saca nesta quarta-feira, 12% mais do que há cinco semanas, conforme dados do Cepea. O milho também sobe, mas bem menos do que a soja.

O trigo, cuja dependência do Brasil é de 56% das importações, teve alta de 17% no período avaliado. Valor do dólar e logística turbinam os preços.

Queijo A Búfalo Dourado, pioneira na fabricação de queijos de leite de búfala, quer ampliar a participação no mercado, após a sua aquisição pela Ultracheese, do segmento de laticínios do fundo Aqua Capital.

Faturamento A Búfalo Dourado prevê faturar R$ 30 milhões em 2020. A meta é atingir R$ 1 bilhão por meio de crescimento orgânico da marca, segundo a empresa.

Portos O movimento está tranquilo e os portos estão operando normalmente, dentro das medidas de segurança exigidas no combate ao coronavírus, segundo a Anec (associação dos exportadores).

Argentina A produção de soja deverá recuar para 49,5 milhões de toneladas, e a de milho, para 50 milhões, segundo estimativas desta quarta-feira (8) da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha

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