Vaivém: Coronavírus traz incertezas para frango nos próximos meses

Banco aponta que setor se defrontará com quarentena, questões logísticas e mudanças no comportamento do consumidor

A oferta e a demanda mundiais de carne de frango, que tinham tudo para crescer neste ano, devido às perspectivas de consumo na China, passarão por um período de incertezas nos próximos meses.

Muitos são os fatores que devem trazer volatilidade ao setor, tanto internos como externos. Um deles, e o que mais afeta o mundo atualmente, é o coronavírus.

Entre os problemas estarão potenciais choques na oferta e na demanda, devido à quarentena, questões logísticas e mudanças temporárias no comportamento do consumidor. É o que mostra estudo do Rabobank, banco especializado no agronegócio.

O vírus está trazendo uma desaceleração da economia mundial e pode gerar uma consequente perda de confiança dos consumidores. Além disso, há uma mudança dos hábitos de consumo, agora concentrados mais nas residências.

A instituição financeira coloca, ainda, outras ocorrências que poderão influenciar o setor. O coronavírus se soma a doenças que já afetam a cadeia de proteínas no mundo, como a gripe aviária e a peste suína africana.

A primeira afeta a produção de aves nas regiões onde ela está presente, como em partes da Ásia e da Europa.

Já a peste suína reduz a produção de carne suína e gera uma demanda maior por frango, um dos produtos mais competitivos na cadeia das proteínas.

Mas além das doenças, o setor de proteínas tem ainda problemas de mercado. Em alguns países, como a China, aumenta a demanda, mas em outros há um choque de oferta, segundo o estudo do Rabobank.

O comércio mundial passa ainda por algumas indefinições importantes, como os acordos comerciais dos Estados Unidos com a China, com o Vietnã, com a Índia e abertura comercial Estados Unidos e União Europeia.

Além disso, há restrições nas importações feitas pela Arábia Saudita e um plano de incentivo à produção de aves na África do Sul. O Brexit também afeta o setor, com possibilidade de haver um aumento de produção no Reino Unido.

Há oferta de frango para exportações neste ano, principalmente no Brasil, Estados Unidos e Europa. As três regiões, porém, estão afetadas pelo coronavírus, podendo haver incertezas na oferta mundial devido a problemas regionais e logísticos.

O Brasil, o maior exportador mundial dessa proteína, entra agora na fase mais aguda do avanço da doença. Além dos desafios de manter a produção e de garantir o escoamento, o país enfrenta custos maiores, devido ao atraso no plantio e na colheita de grãos.

O país terá também uma maior concorrência dos Estados Unidos no setor de carne de frango. Outro importante exportador mundial, os EUA têm, agora, portas abertas na China. O Brasil é líder em exportações dessa proteína para os chineses.

Os analistas do Rabobank dizem que há uma mudança nos custos dos insumos para o setor, devido à interrupção de produção por indústrias chinesas.

Já os custos mundiais para o setor produtivo não terão grandes alterações. A demanda chinesa por soja é grande, mas a oferta de Brasil, Estados Unidos e Argentina é boa.

No caso do milho, a demanda chinesa é menor e Estados Unidos vão elevar a área de plantio e aumentar a produção do cereal.

Não custa avisar O Ministério da Agricultura alerta que as vacinas já registradas contra coronaviroses são exclusivamente para uso em animais. Jamais devem ser utilizadas em humanos.

Inimigo oculto A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, fez uma apelo para que os produtores rurais se cuidem, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde. “Com isso, evitam que o inimigo oculto [o coronavírus] chegue ao campo.”

Doação de álcool As associadas da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) vão doar 1 milhão de litros de álcool para a produção de álcool gel e álcool 70. Com isso, a entidade quer contribuir com o abastecimento das unidades públicas de saúde.

Doação de álcool 2 A Marfrig produzirá álcool gel na unidade de Promissão (SP), onde a empresa tem uma fábrica de produtos de limpeza. Serão dez toneladas mensais. O produto será destinado a instituições assistenciais, hospitais, colaboradores e para as unidades da empresa.

Sabão A JBS, por meio da sua divisão Higiene & Limpeza, iniciará a produção de 2 milhões de sabonetes, que serão distribuídos em lares de idosos e favelas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Fonte: Folha