Vaivém: Câmbio segura preço do arroz

Demanda interna cresce e dólar acima de R$ 5 favorece exportações e inibe importações

O setor de arroz é um dos poucos que não foram afetados pela pandemia atual, provocada pelo coronavírus. A demanda não é tão intensa como a de março, quando houve uma corrida dos consumidores aos supermercados, mas continua acima do normal.

“A quarentena está fazendo o consumidor voltar às origens, aumentando o consumo de arroz e de feijão em casa”, diz Vlamir Brandalizze, analista do setor.

Com a redução da alimentação fora do lar, o cardápio ficou mais restrito nas casas, tendo como base o arroz e o feijão. Os restaurantes, principalmente os que forneciam alimentação por quilo, davam uma série de opções ao consumidor, colocando os cereais em segundo plano.

Consumidores em supermercado na região central de SP Rivaldo Gomes/Folhapress

Além de o dólar deixar o produto brasileiro mais competitivo no mercado externo, ele já é um dos mais baratos, quando comparado ao de outros mercados.

A cotação do arroz quebrado tailandês valia, nesta quinta-feira (23), US$ 440 por tonelada, correspondente a R$ 144 a saca no Brasil. Por aqui, a saca do arroz tipo 1, de melhor qualidade, vale R$ 140, segundo o analista.

Com esse câmbio favorável, o Brasil deverá exportar 1,1 milhão de toneladas neste ano. Já as importações ficarão entre 600 mil e 700 mil toneladas, abaixo das expectativas anteriores.
Paraguai, Argentina e Uruguai, tradicionais exportadores para o Brasil, têm mercados externos mais rentáveis do que o brasileiro, principalmente nos países árabes.

O volume exportado pelo Brasil não é grande em relação à produção interna, mas serve para balizar os preços. A saca a R$ 60 nos portos garante uma remuneração de R$ 54 aos produtores gaúchos.

Não vai faltar arroz no mercado interno, segundo Brandalizze. Os preços, porém, devem mudar de patamar, subindo para uma média de R$ 16 a R$ 22 o pacote de cinco quilos, dependendo da qualidade do produto.

Nos últimos 30 dias, o arroz teve alta de 2% para os consumidores paulistanos, segundo pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

A produção gaúcha, conforme novas estimativas, deverá atingir 8 milhões de toneladas, acima da previsão anterior de 7,2 milhões a 7,5 milhões.

A safra avança, e 80% das áreas já foram colhidas, mostrando uma produtividade melhor do que a estimada.

A melhora nos preços neste ano é importante porque permitirá aos produtores, que estão há cinco anos no vermelho, aumentar o uso de tecnologia e garantir maior produtividade nas próximas safras.

Em busca de produtor A Bayer vai aproveitar o poder de logística de longo alcance que a Casa do Adubo tem para atingir pequenos e médios produtores nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Levando soluções A multinacional, por meio dessa rede, busca viabilizar o acesso do produtor local ao seu portfólio de soluções da Bayer. A Casa do Adubo tem 83 anos de atividade no setor.

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha

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