Vaivém: Apetite chinês leva a recorde na exportação do agronegócio

Além da preferência pela soja brasileira, os chineses também vêm elevado as compras de carnes

As exportações do agronegócio atingiram o melhor patamar mensal do setor. Em maio, as receitas com os principais itens renderam US$ 10,9 bilhões, superando em 17% as do mês de abril, quando as exportações de soja haviam disparado e batido recorde.

Esse avanço das exportações do agronegócio tem por trás o apetite chinês e advém de vários motivos. Primeiro, o país asiático está repondo estoques, após o isolamento social do início do ano.

Os chineses temem, ainda, que a pandemia avance muito no Brasil, o que dificultaria as exportações brasileiras nos próximos meses.

Agora há um novo fator que manterá o olhar chinês ainda mais fixo nos produtos brasileiros. O governo estaria incentivando as empresas a não comprar produtos do agronegócio dos Estados Unidos, segundo a Reuters. A medida chinesa seria uma retaliação pela posição do presidente Donald Trump em relação a Hong Kong.

A comparação dos dados do mês passado com os de maio de 2019 mostra o grande salto que as exportações do agronegócio vêm obtendo nos últimos meses. Neste ano, as receitas superaram em 28% as de igual período de 2019.

A soja em grãos, responsável por 47% das receitas dos 45 itens do agronegócio compilados pela Folha, voltou a registrar patamar bastante elevado. Após a saída de 16,3 milhões de toneladas da oleaginosa em abril, os exportadores brasileiros colocaram mais 15,5 milhões no mês passado.

Outro item de destaque são as carnes, que somaram receitas de US$ 1,5 bilhão em maio.

Além da preferência pela soja brasileira, os chineses também vêm elevado as compras de carnes, principalmente as bovina e suína. As exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram US$ 683 milhões no mês passado. Na média diária, a evolução foi de 56%, em comparação a maio de 2019.

Embora em volume menor, a exportação de carne suína também teve bom desempenho. A média diária das receitas obtidas com as vendas externas em maio superou em 77% a de igual mês de 2019.

Até o açúcar retomou bom desempenho, obtendo evolução mensal de 97% no volume exportado em maio. O destaque negativo do mês fica para o milho, cujas exportações recuaram 97% em volume, segundo a Secex.

Yara Brasil?Lair Hanzen deixa a presidência e assume as Américas —Brasil, América Latina e América do Norte. Olaf Hektoen o substitui. A empresa é do setor de adubos.

Investimentos?Na presidência de Hanzen, foram investidos R$ 15 bilhões, que se concretizam de 2012 a 2021. Aquisições e grandes projetos somam R$ 7 bilhões cada um.

Combustível?O consumo por veículos leves recuou para 3,12 bilhões de litros em abril, o menor volume desde fevereiro de 2010, segundo dados da Unica e da ANP.

Celulose?As exportações de maio se mantiveram estáveis, em volume, em relação às de igual período de 2019. Houve queda, no entanto, de 30% no preço do produto.

Abates? Os frigoríficos americanos abateram 2,24 milhões de cabeças de gado em abril, 21% menos do que em igual período do ano passado, segundo o Usda. Os abates de suínos recuaram 11% no período.

Milho?Os americanos plantaram 93% da safra atual, e 70% das lavouras se encontram em estágios bom ou excelente. Pode vir safra recorde.

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha

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