Utam investe para crescer em café ‘gourmet’

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Investir em cafés especiais é o caminho que "o segmento precisa buscar para continuar crescendo", diz Ana Carolina Soares, diretora-executiva da Utam

Diante dos sinais de que há muito pouco espaço para crescer no mercado de café tradicional no país e num ambiente de margens apertadas, a paulista Café Utam decidiu ampliar a aposta no segmento de café gourmet. A empresa já tem café com essa classificação em seu portfólio, mas agora está investindo numa linha específica para o produto em sua unidade de Piumhi (MG), o que elevará o volume ofertado do item.

"Já trabalhávamos com o produto, mas não tínhamos uma linha específica", diz Ana Carolina Soares, diretora-executiva da Utam, que tem sede em Ribeirão Preto (SP). Antes, os grãos de maior qualidade destinados à produção de café gourmet passavam pela mesma linha do café tradicional na fábrica da Utam.

Na nova linha de produção, que demandou investimentos de R$ 2 milhões, o café passará por um torrador especial, que permite uma torra uniforme, segundo ela. Além disso, a tecnologia utilizada na linha também garante que os grãos não se quebrem no processo, o que é importante no caso da venda do café em grãos apenas torrado.

Ao mesmo tempo em que amplia o investimento no segmento gourmet, a empresa também está montando escritório comercial em São Paulo. O objetivo é atender o mercado da capital, mas também ampliar as vendas a outras regiões do país. A empresa comercializa café para o varejo e o food service dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e também no Sul do país.

Hoje, os cafés gourmet – incluídas aqui as cápsulas – representam 10% da receita da Utam. Os 90% restantes são provenientes das vendas de cafés tradicionais. O planejamento da companhia prevê que, com a nova linha, a fatia dos gourmet alcance 20% em 2017.

"Quando se analisa tendências de consumo, vemos que café tradicional tem consumo estagnado e o que apresenta crescimento são os especiais e gourmet, de maior valor agregado", afirma Ana Carolina. Assim, argumenta, esse é o caminho que "o segmento precisa buscar para continuar crescendo".

Enquanto o consumo de cafés especiais e gourmet deve crescer 17,5% ao ano de 2016 a 2020, o de café tradicional deve avançar apenas 2,9%, afirma a executiva, citando dados divulgados recentemente pela empresa de pesquisas Euromonitor.

A expectativa da Utam é que o investimento na nova linha de café gourmet já contribua para uma melhora de seus resultados no próximo ano. Em 2016, assim como quase todas as empresas do setor, a Utam enfrentou um cenário de alta dos custos de matéria-prima numa economia em crise. Ainda assim, diz a executiva, a previsão é fechar este ano com receita estável em relação a 2015, quando somou R$ 53,975 milhões. "Apesar da crise, não houve queda de receita", afirma.

No entanto, os custos de matéria-prima subiram mais do que no ano passado e houve dificuldade de repasse, admite. E nos últimos meses, essa alta se acentuou, segundo ela. "Repassamos parte, mas não toda a alta acumulada", completa, acrescentando que no ano a saca de café arábica subiu R$ 380 para R$ 480.

Um efeito desse cenário, diz Ana Carolina, foi que houve uma maior procura, por parte dos consumidores, por " marcas um pouco mais em conta" no segmento de café torrado e moído.

No segmento de cápsulas, a expectativa da Utam é fechar o ano com vendas de 1,5 milhão de unidades. Essa era a previsão para 2015, mas o crescimento no número de empresas produzindo a categoria elevou a concorrência e fez os números ficarem abaixo do esperado, segundo ela. A Utam comercializou 1,3 milhão de unidades em 2015.

O portfólio da empresa inclui cápsulas nacionais, com blends de cafés produzidos no Brasil, e importadas, produzidas a partir de grãos de origens como Etiópia, Colômbia e Angola.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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