Uso de algodão na China deve cair

Em relatório divulgado na última sexta-feira, o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês) reforçou a perspectiva de queda no uso de algodão na China nesta temporada 2014/15. Alguma compensação deve vir de um consumo maior em outros países, mas a recuperação da combalida indústria têxtil chinesa continua em ritmo frágil, uma má notícia para os países exportadores da pluma.

O comércio mundial do produto deve declinar 5,7% em 2014/15, para 8,2 milhões de toneladas, prevê o ICAC. O Brasil, segundo a Associação Nacional dos Exportadores (Anea), deve abocanhar 700 mil toneladas desse total, e a Indonésia deve se manter como principal cliente.

O ICAC informou que os preços da pluma estão recuando na China, mas ainda em níveis insuficientes para animar a recuperação no país asiático. Desde o começo de abril, quando o governo chinês anunciou um preço de leilão de algodão mais baixo, o ritmo de vendas das reservas internas aumentou e o índice China de Algodão tipo 328 – um indicador diário de preços para o algodão doméstico oferecido para fábricas na China – caiu de 144 centavos de dólar por libra peso (média dos nove meses desta safra) para cerca de 129 centavos de dólar no fim de abril.

Embora os preços mais baixos sejam bem-vindos pelas indústrias na China, muito estrago tem sido causado nesse segmento nos últimos anos por causa da política de Pequim, segundo relatório do ICAC. Desde o início dessa política, em 2011, o consumo industrial declinou no país cerca de 17%, de 9,6 milhões de toneladas em 2010/11 para 7,9 milhões de toneladas em 2013/14. No ciclo 2014/15, é esperado um declínio mais lento, de apenas 1%, para 7,8 milhões de toneladas.

Em contrapartida, o ICAC projeta que os três maiores consumidores da pluma (Índia, Paquistão e Turquia) aumentarão o uso da capacidade de suas fábricas em 2014/15. Isso deve ajudar a elevar em 3% o consumo mundial, a 24,3 milhões de toneladas.

Se o uso de algodão pela indústria global deve aumentar em 2014/15, a produção mundial tende a declinar 2% para 25,2 milhões de toneladas, diminuindo a distância entre a produção e o consumo mundial. Em 2014/15, a Índia espera produzir perto de 6,3 milhões de toneladas, o que representa um declínio de 2%. Na China, a produção deve recuar 10%, para 6 milhões de toneladas.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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