Usinas testam inovação para reduzir desperdícios

Anna Carolina Negri/Valor / Anna Carolina Negri/Valor
O Fundo Pitanga deve finalizar neste ano a compra de participação em uma outra empresa inovadora, diz Reinach

O biólogo Fernando Reinach não esconde a empolgação com a primeira, e única, empresa na qual o Fundo Pitanga, sob sua gestão, investiu até agora parte de US$ 380 milhões disponíveis.

A I.Systems tem como carro-chefe um software que resolve questões "insolúveis" de automação industrial. Essa tecnologia vem sendo aplicada em diversos setores industriais, mas a maior clientela desse produto, batizado de Leaf, é formada por usinas sucroalcooleiras.

De um total de 120 processos industriais que estão testando ou já adotaram o software, 96 (ou 80%) são de usinas sucroalcooleiras, informa Reinach.

O Leaf foi criado por um grupo de engenheiros de computação e matemáticos na época em que ainda eram estudantes na Universidade de Campinas (Unicamp). Baseia-se na chamada lógica difusa, ou lógica "fuzzy", que usa uma série de cálculos (algoritmos) para ampliar as formas de executar uma tarefa, dependendo de uma série de variáveis.

Normalmente, soluções baseadas nessa lógica são desenvolvidas sob medida por consultorias especializadas, que levam meses e quase um ano inteiro para entregar a resposta a seus clientes por valores "muito elevados", explica Reinach. "O que esse grupo de Campinas desenvolveu foi o único software no mundo capaz de encontrar essas soluções de forma automática", afirma.

Reinach não revela quanto o Pitanga investiu e nem a participação que comprou na I.Systems. Mas seu papel é maior do que o de um mero sócio minoritário, garante ele. Se concentra principalmente na administração e no suporte na área comercial, dado seu vasto portfólio de contatos no setor industrial.

Dessa forma, ele abriu portas no segmento sucroalcooleiro, cadeia na qual atuou via CanaViallis, empresa de pesquisa em cana da Votorantim Novos Negócios e onde ele foi, por nove anos, diretor-executivo. As usinas de cana-de-açúcar são, até o momento, a maioria dos clientes da I.Systems.

O executivo explica que é difícil projetar faturamento da empresa neste momento, quando a operação completa apenas quatro meses. Mas, se considerar apenas uma carteira de 90 usinas sobre a qual se calcula um ganho médio de R$ 100 mil por software instalado, a receita pode chegar a R$ 9 milhões. Ele lembra, no entanto, que o ganho sobre um software implantado ocorre apenas no primeiro ano do ganho obtido pelo cliente. "A perpetuidade da empresa se dará na medida em que o software for melhorando. Aí o que se venderá será a atualização (upgrade)".

A aplicação do Leaf se dá em processos automatizados, cujas oscilações tragam perdas às fábricas. Em usinas de cana-de-açúcar, as aplicações feitas até agora foram, por exemplo, na redução da variação de pressão em torres de destilação de etanol. Em uma unidade sucroalcooleira de São Paulo, a I.Systems conseguiu reduzir em 61% essas variações, o que trouxe uma produtividade 11% maior no processo.

O software tem outras aplicações no mesmo segmento, como em caldeiras de cogeração de energia, em cozedores (que permitem à usina atingir no caldo a concentração de açúcar desejada), assim como no processo de evaporação. Ao todo, 19 grupos sucroalcooleiros estão testando ou já adotaram o Leaf, em 23 plantas industriais, afirma Reinach.

A empresa começou a operar oficialmente no segundo trimestre deste ano e, dos 120 processos industriais testados até agora, dez foram vendidos e pagos. Três clientes desistiram e o restante, está em fase de testes e negociações.

Para vender esse produto, a I.Systems adotou um modelo de negócio inusitado, conta Reinach. O cliente paga metade do ganho que terá por um ano com o fim do "desperdício" na indústria. O ganho é calculado antes de o software ser instalado na fase de testes, que dura 30 dias e período no qual o Leaf é implantado gratuitamente. Em se confirmando que o software resolveu o problema e que haverá o ganho para o cliente, o contrato é fechado e o valor é pago em seis parcelas, detalha.

A I.Systems conquistou clientes em outras áreas, como a de bebidas, alimentação e de produtos químicos. Segundo o executivo, também está fazendo testes em aplicações totalmente novas, como na indústria de papel e celulose, controle de reservatório de hidrelétricas, distribuição de água e no ramo de exames laboratoriais.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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