Usinas termelétricas gaúchas pedem passagem

Apesar de mais de 40% da energia elétrica em escala mundial ser de origem térmica, esta matriz no Brasil representa menos de 1,5% da energia gerada, estando o nosso modelo voltado quase que exclusivamente para as hidrelétricas. Esta tendência internacional indica que dentro de 3 ou 4 anos a energia das termelétricas deverá ter mais peso econômico do que o petróleo. Projeções apontam uma tendência de crescimento da demanda nacional de energia elétrica de 5,5% ao ano, sendo que as hidrelétricas não serão suficientes para dar conta dessa expansão. Não podemos desperdiçar esse fantástico potencial estadual de carvão mineral que temos, principalmente quando possuímos a melhor tecnologia do mundo na contenção de partículas poluentes, e plenamente aceitável até para os mais rígidos padrões de controle ambiental.
As jazidas gaúchas são enormes, chegando a 90% de todo o carvão mineral do País. O restante das reservas está em Santa Catarina, quase 10%, e traços no Paraná. Apenas o município de Candiota possui 40% das reservas nacionais (1,7 bilhão de toneladas), sendo este mineral de excelente qualidade, espessura e poder calorífico. Este é o nosso pré-sal, que pede passagem. Podemos contemplar oferta de energia ao sistema nacional juntamente com o desenvolvimento regional – emprego, renda, PIB e qualidade de energia no campo. Conforme estudos da Câmara Temática Estadual de Agroenergia da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, mais de 20 mil empregos diretos deverão ser gerados em apenas seis usinas térmicas com projetos mais adiantados. Precisamos, no entanto, da definição urgente de um marco regulatório nacional prevendo apoio, regramento e igualdade de condições desta modalidade com relação às hidrelétricas. Somente assim podemos disputar e vencer os próximos leilões nacionais e iniciar estas e muitas outras obras.
Coordenador das Câmaras Temáticas de Agroenergia e Infraestrutura

Fonte: Jornal do Comércio | Valdir Pedro Zonin

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