Usinas de cana peruanas podem ser modelos para o Nordeste

Fonte: Globo Rural

Ministério da Integração Nacional busca soluções em irrigação para desenvolver agricultura no Semiarido

por Globo Rural On-line

João Bonetto

Canaviais peruanos têm estrutura para irrigação por gotejamento na região mais seca do planeta

Uma comitiva federal, formada por representantes dos ministérios da Integração Nacional, Agricultura ePlanejamento, além de técnicos da Embrapa e daCompanhia para o Desenvolvimento para o Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) retornaram ao Brasil, nesta quinta-feira (24/11), após uma visita a pelo menos duas fazendas sucroalcooleiras localizadas em regiões desérticas do Peru.
O objetivo da visita era conhecer o sistema de produção de cana-de-açúcar irrigada, em Trujillo, cidade que possuiclima desértico e está localizada a 800 quilômetros da capital, Lima. Em Trujillo, segundo autoridades locais, chove aproximadamente 60 mm por ano e a região é considerada uma das mais secas do planeta.
A comitiva visitou os canaviais irrigados da Usina Casa Grande, que possui 40 mil hectares plantados com cana e a Usina Laredo, que tem 10 mil hectares de lavouras. As duas propriedades utilizam sistemas de irrigação por gotejamento na maior área plantada.
De acordo com o Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o sistema de produção de cana no Peru poderia ser aplicado com sucesso em regiões semiaridas no Nordeste e seria uma solução para a economia regional e agrícola local. “A cana-de-açúcar é uma opção para aumentar a geração de emprego e renda no nordeste, e o que vimos no Peru serve de exemplo: numa região extremamente seca a irrigação por gotejamento com precisão possibilitou aumento na produção, com impactos positivos na economia local”,disse o ministro.
Com o gotejamento, o ciclo de corte no primeiro ano ficou mais rápido, passou de 18 para 12 meses. A produtividade é de 10 toneladas por mês (18 meses) e de 15 toneladas por ano. No Brasil, com irrigação de salvamento, a produtividade é de 80 toneladas por ano.
No Semiarido nordestino, o governo federal quer irrigar 200 mil hectares. Para isso, recursos do Plano de Aceleração do Crescimento e Parcerias-Público-Privadas reservaram R$ 10 bilhões para serem aplicados na região, através doprojeto "Mais Irrigação". Coelho, cujo ministério está à frente do investimento, disse que, quando concluído, a agricultura poderá gerar mais de 500 mil empregos diretos e indiretos.
Em 2011, o ministro Fernando Bezerra Coelho, já esteve na Austrália, Israel e em vários países da América do Sul em busca de modelos para serem implantados na região. Da Austrália, Coelho trouxe experiências de produção de etanol em regiões desérticas e dos demais países, modelos de produção agrícola irrigadas.

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