Usina flex do MT diminui utilização de milho por causa da alta no preço

A previsão era de processar 100 mil toneladas do cereal, agora serão somente 30 mil toneladas

por Agência Estado

Ernesto de Souza

A moagem do milho começa em novembro, quando termina o processamento das 630 mil toneladas de cana previstas para esta safra

A alta dos preços do milho, impulsionada pela estiagem que provocou forte queda na produção de grãos nos Estados Unidos, frustrou os planos da Destilaria Usimat, a primeira usina flex de etanol do Brasil. Localizada em Campos de Júlio, a 553 quilômetros a noroeste de Cuiabá, a Usimat pretendia usar nesta safra um volume maior de cereais para produzir o combustível, além da cana-de-açúcar. O projeto precisou ser reavaliado e em vez das 100 mil toneladas previstas inicialmente a empresa processará 30 mil toneladas de milho e outras 10 mil de sorgo granífero. Amoagem dos cereais começa em novembro, quando termina o processamento das 630 mil toneladas de cana previstas para esta safra.
Sérgio Barbieri, diretor da Usimat, explica que a expectativa para este ano, em função da colheita de uma safra recorde de 15 milhões de toneladas de milho no Mato Grosso, era que os preços do cereal nesta época na região noroeste do Estado estivessem em R$ 14 a saca, abaixo dos atuais R$ 20 a saca. Barbieri afirma que a alta de preços do milho apenas adiou a utilização plena da usina, que neste ano dobrou sua capacidade diária para processar 900 toneladas de cereais, com investimentos próprios da ordem de R$ 30 milhões.
A adaptação da usina para processamento do milho ocorreu na parte de recepção e moagem da matéria-prima, com aproveitamento de outros equipamentos, como caldeiras para geração de energia térmica, colunas de fermentação edestilação, além dos tanques para estocagem do etanol.
A Usimat nesta safra produzirá 53 milhões de litros de etanol, em partes iguais de etanol e anidro, que serão comercializados no Mato Grosso e nos Estados da Amazônia. Levando em conta os preços e os rendimentos industriais (85 litros por tonelada de cana e 365,5 litros por tonelada de milho), o custo do litro do etanol de milho é de R$ 1,23 e o de cana, de R$ 1,13. O cálculo não considera os ganhos com a venda do farelo de milho resultante da destilação, que tem alto teor de proteínas.
O executivo reconhece que o empreendimento é modesto, sem forças para influenciar as cotações no mercado mato-grossense de milho, mas observa que, além de estender a produção de etanol por 11 meses, ante os seis meses de processamento da safra da cana, a usina representa uma alternativa para os agricultores nos momentos de excesso de oferta do cereal e depressão nos preços.

Fonte: Globo Rural

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *