USDA surpreende e corta projeção para soja nos EUA

Um corte surpreendente nas projeções para a safra 2015/16 de soja e milho nos EUA elevou os preços das duas commodities na bolsa de Chicago ontem, mesmo com a indicação de aumento nos estoques do país no início de dezembro.

Em seu novo relatório de oferta e demanda mundial, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu em 1,4 milhão de toneladas (1,3%), para 106,95 milhões de toneladas, sua projeção para a colheita de soja no país, já encerrada. Ainda assim, o volume é recorde, ligeiramente acima das 106,88 milhões de 2014/15. A revisão levou em conta uma queda na previsão de área colhida (0,6%) e na produtividade (0,3%), em relação a dezembro.

"Foi uma surpresa. O mercado apontava um ‘range’ [faixa] que podia cair, mas a estimativa média era para uma alta na produção de soja", disse Luiz Fernando Gutierrez, consultor da Safras & Mercado. O que se percebe agora, segundo ele, é que o USDA "superestimou" a área da oleaginosa nos EUA.

Com a perspectiva de produção americana menor que o esperado, o USDA reduziu de 320,11 milhões para 319,01 milhões de toneladas sua projeção para a safra global de soja em 2015/16. O volume, entretanto, permanece superior às 318,80 milhões de 2014/15. A estimativa para o estoque final mundial, por sua vez, caiu para 79,28 milhões de toneladas, ainda acima das 76,93 milhões da última temporada.

O USDA informou, também ontem, que os EUA detinham em 1º de dezembro um volume estocado de soja 7% superior ao da mesma data de 2014, com 73,75 milhões de toneladas. Mesmo assim, os contratos de segunda posição da oleaginosa (que costumam ter maior liquidez), com entrega em março, fecharam em alta de 1,54%, a US$ 8,7450 por bushel.

No Brasil, a despeito das preocupações com o clima seco em importantes regiões produtoras de soja, o USDA não alterou suas projeções: colheita de 100 milhões de toneladas e exportação de 57 milhões. Para a Argentina, o USDA manteve a projeção de produção de 57 milhões de toneladas.

No caso do milho, o USDA reduziu de 973,87 milhões para 967,93 milhões de toneladas sua estimativa para a safra global em 2015/16. Também nesse caso, o motivo foi uma revisão para baixo nos EUA, com um recuo de 1,33 milhão de toneladas, para 345,49 milhões – 4,3% abaixo de 2014/15.

O órgão apontou ainda que os estoques de milho nos EUA somavam 284,49 milhões de toneladas em 1º de dezembro, um aumento marginal sobre o mesmo período de 2015. Os lotes do grão para maio fecharam ontem com ganhos de 1,33%, a US$ 3,6225 por bushel.

Já os preços do trigo de mesmo vencimento registraram alta mais expressiva. O avanço ocorreu mesmo depois de o USDA elevar sua estimativa para a produção global do cereal em 2015/16, de 734,93 milhões para 735,39 milhões de toneladas. A menor perspectiva de plantio de trigo de inverno nos EUA ajudou a sustentar as cotações.

Por Mariana Caetano, Camila Souza Ramos e Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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