USDA reforça efeito baixista de eleição nos EUA sobre grãos

O relatório de oferta e demanda mundial divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) maximizou os efeitos baixistas da vitória de Donald Trump nas eleições americanas sobre as cotações das commodities agrícolas nas bolsas. Com uma forte aversão a risco tomando conta do mercado no início do dia, o dólar disparou ante as principais moedas do mundo – o que tende a tornar os produtos agrícolas dos EUA menos competitivos no mercado internacional.

"O USDA foi o que realmente trouxe um balde de água fria para os ganhos que observamos outros dias. Basicamente, assim como a vitória do Trump não era tão esperada, o volume dos estoques para soja e milho vieram fora do que o mercado esperava", afirmou Glauco Monte, analista da FCStone, observando que o mercado já passava por uma acomodação após os efeitos das eleições americanas nas cotações.

Momentos antes da divulgação do relatório do USDA, soja e milho operavam no positivo em meio à desaceleração da alta do dólar após o pânico inicial dos investidores com a vitória do candidato republicano.

"O mercado talvez tenha lido que a eleição do Trump, principalmente por conta do discurso pós-eleição, que foi em tom conciliatório, não foi tão caótica quanto se previa inicialmente", disse Gabriel Elias, trader de açúcar da Olam International. O açúcar – assim como outras softs commodities com produção concentrada em países emergentes – teve alta ontem na bolsa de Nova York, enquanto o algodão registrou perdas, também pressionado pelo relatório do USDA.

Segundo o órgão, os americanos deverão colher 3,51 milhões de toneladas da pluma na safra 2016/17, acima das 3,49 milhões de toneladas apontadas em outubro e mais de 25% superior ao registrado em 2015/16. No caso da soja, as estimativas são de uma safra de 118,69 milhões de toneladas, contra 116,18 milhões de toneladas projetadas em outubro.

A maior surpresa, no entanto, foi em relação ao milho. O mercado esperava uma redução nas estimativas de safra do órgão, o que não ocorreu. Segundo o USDA, os EUA devem colher 386,75 milhões de toneladas na safra 2016/17, acima das 382,48 milhões estimadas em outubro.

"Houve alguns dias de um verão um pouco mais quente e alguns relatos de que a colheita estava um pouco abaixo do esperado, mas, na média, não havia muito fundamento para uma redução nas estimativas", observou Monte.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte: Valor

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