USDA prevê safra maior de café no país

Patricia Monteiro/Bloomberg

Colheita de café na região de Guaxupé (MG); segundo o USDA, produtividade do arábica no país ficou acima do esperado

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revisou para cima sua projeção para a safra brasileira de café 2016/17, ampliando ainda mais a diferença em relação aos números previstos pela Conab. De acordo com relatório do órgão divulgado ontem, a produção brasileira de café do ciclo 2016/17, cuja colheita já foi finalizada, deverá crescer quase 14%, para 56,1 milhões de sacas (de café arábica e conilon). A estimativa anterior do USDA, divulgada em maio, era de uma produção de 55,95 milhões de sacas.

Já a Conab estimou em seu último relatório, de setembro, que a produção brasileira de café na safra 2016/17, de bienalidade positiva, deve somar 49,64 milhões de sacas, 0,06% abaixo do que havia previsto em maio e 14,8% superior ao colhido na safra 2015/16.

Segundo o escritório do USDA em São Paulo, a revisão para cima da projeção se deveu à produtividade acima da esperada para o café arábica. O relatório do USDA destacou, no entanto, a forte queda na produção de café conilon, principalmente em decorrência da seca no Espírito Santo, maior produtor da espécie no país.

Para o USDA, a produção de arábica no Brasil deverá atingir 45,6 milhões de sacas, um aumento de 4% em relação à estimativa de maio e 26% mais que na temporada anterior. Mas o órgão revisou para baixo a projeção para o conilon, cuja colheita deve ficar em 10,5 milhões de sacas no país, 13% menos do que o previsto em maio e 21% abaixo da safra 2015/16.

A estimativa da Conab é de uma produção de 41,29 milhões de sacas de café arábica, 28,8% acima da safra 2015/16. Já a produção de conilon no país deve somar 8,35 milhões de sacas, 25,3% inferior ao colhido na safra 2015/16, segundo a autarquia.

Em seu relatório, o USDA diz que "a produção de conilon caiu significativamente pelo segundo ano consecutivo [no Brasil] como consequência de um déficit hídrico persistente, especialmente no Estado do Espírito Santo, tornando os preços acentuadamente mais altos".

Essa alta de preços e a escassez de conilon no mercado brasileiro têm levado a indústria de café, especialmente a de solúvel, a defender a importação do produto.

O relatório do USDA estimou ainda que o consumo de café no Brasil deve seguir estável, em 20,5 milhões de sacas na safra 2016/17. Mas o órgão revisou para baixo a projeção para as exportações brasileiras de café. A previsão agora é de que sejam embarcadas 34,23 milhões de sacas no ciclo, queda de 1,31 milhão de sacas. O USDA também estimou que os estoques finais de café no país na safra 2016/17 devem somar 4,14 milhões de sacas, alta de 1,42 milhão de sacas sobre o ciclo precedente, reflexo da atualização da dados para a produção e a exportação.

 

Por Cleyton Vilarino e Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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