USDA eleva estimativa para produção de trigo

Por Camila Souza Ramos, Cleyton Vilarino, Luiz Henrique Mendes e Fernanda Pressinott | De São Paulo

Os números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na sexta-feira reforçaram a expectativa de uma ampla oferta global de grãos e adicionaram pressão sobre as cotações internacionais dessas commodities. O impacto tende a ser maior sobre o trigo, cujos preços futuros já recuaram mais de 2% na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os contratos de segunda posição de entrega (para maio) fecharam a US$ 4,3425 o bushel, queda de 2,8%.

Segundo as novas projeções do USDA, a produção global de trigo da atual temporada (2017/18) deverá ficar em 757,01 milhões de toneladas, quase 2 milhões de toneladas acima do estimado em dezembro e quase 7 milhões de toneladas a mais que na safra anterior. Mas como o órgão ajustou sua estimativa para os estoques iniciais deste ciclo, as projeções para os estoques finais ficaram praticamente estáveis, com uma relação entre estoque e uso de 36,2%.

O aumento da oferta global deve ser puxado basicamente pela Rússia, que se consolida como a maior exportadora mundial de trigo. O USDA aumentou sua projeção para os embarques do país em 1,5 milhão de toneladas, para 35 milhões de toneladas, resultado da colheita abundante no país e dos preços competitivos.

Em outro relatório, o órgão indicou que o plantio do trigo de inverno nos EUA não deve cair tanto nesta safra como na anterior, reduzindo receios com a oferta do país.

Para a soja, carro-chefe das exportações do agronegócio brasileiro, o USDA alterou pouco suas estimativas de produção e estoques globais, projetadas em 348,57 milhões de toneladas e 98,57 milhões de toneladas, respectivamente. A relação estoque e uso foi estimada assim em 28,6%, pequena queda ante o resultado estimado da safra passada (29,2%).

Por outro lado, o órgão indicou que os estoques de soja nos EUA cresceram no fim de 2017, o que pode pressionar as cotações. Em 1º de dezembro, havia 86 milhões de toneladas armazenadas no país, alta de 9% sobre igual dia de 2016.

O órgão também reduziu a estimativa de exportação pelos EUA nesta safra em quase 2 milhões de toneladas, para 58,79 milhões de toneladas, abaixo das 59,16 milhões de toneladas estimadas para a safra 2016/17. Em contrapartida, a projeção para os embarques de soja do Brasil foi elevada em 1,5 milhão de toneladas, para 67 milhões de toneladas.

O USDA ainda elevou marginalmente sua estimativa para a oferta global de milho, na contramão das expectativas do mercado. O órgão estimou que os estoques finais totalizarão 206,57 milhões de toneladas, acima das 204,08 milhões de toneladas projetadas em dezembro – resultando em uma relação de 19,4% entre estoque e uso, ainda abaixo da safra passada (21,5%).

Fonte : Valor

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